
A mamadeira anticólica funciona, mas não faz o milagre que o nome promete. O que ela resolve de verdade é reduzir a quantidade de ar que o bebê engole durante a mamada, e ar engolido é um dos motivos de gases e desconforto nos primeiros meses. O que ela não resolve é a cólica em si, que tem várias causas e faz parte do amadurecimento do intestino. Entender essa diferença evita tanto a frustração de esperar demais quanto a decepção de achar que não serve para nada. Vale separar o que é verdade do que é exagero sobre esse tipo de mamadeira.
Verdade: ela reduz o ar que o bebê engole
Esse é o ponto forte e real da mamadeira anticólica. Ela tem um sistema de válvula ou um tubo interno que deixa o ar entrar pela mamadeira em vez de ir junto com o leite para a barriga do bebê. Menos ar engolido significa menos gases presos e menos aquele desconforto que faz o bebê se contorcer depois de mamar. Para o bebê que engolia muito ar numa mamadeira comum, a troca costuma trazer um alívio perceptível. Ou seja, dentro do que promete de fato, o mecanismo funciona.

Mito: ela acaba com a cólica
Aqui mora a maior confusão. A cólica dos primeiros meses não é causada só por ar engolido, ela vem do intestino ainda imaturo, da maior produção de gases e da sensibilidade do bebê a estímulos. Uma mamadeira anticólica ajuda no fator ar, mas não desliga a cólica, porque não mexe nas outras causas. Por isso, mesmo usando a melhor mamadeira do mercado, o bebê ainda pode ter crises de choro, e isso não significa que o produto falhou. Para essas horas, o que alivia são as medidas de conforto reunidas no guia sobre a cólica dos primeiros meses.
Verdade: só funciona bem limpa e montada certo
O sistema anticólico depende das peças extras, a válvula, o tubo ou o disco, e é aí que muita gente se decepciona sem perceber o motivo. Se a mamadeira é montada errada, com uma peça fora do lugar, o mecanismo simplesmente não age. E como são mais peças, a higiene precisa ser caprichada, porque cada canto guarda resíduo de leite. Montar seguindo o manual e lavar tudo separado a cada uso é o que mantém a mamadeira fazendo o que promete, um cuidado detalhado no guia de como higienizar a mamadeira.
Mito: todo choro depois de mamar é cólica
Nem todo choro é cólica, e trocar de mamadeira nem sempre é a resposta. O bebê pode chorar por fome, sono, fralda cheia, excesso de estímulo ou porque o fluxo do bico está errado para a idade, deixando-o engasgar ou fazer esforço demais. Antes de culpar a mamadeira, vale conferir se o bico é adequado, tema do guia sobre os tipos de bico de mamadeira. Um fluxo certo, sozinho, já reduz o ar engolido, às vezes mais do que a troca por um modelo anticólico.
Quando trocar de modelo faz diferença
Nem todo bebê que sofre com gases precisa de uma mamadeira anticólica cara. Antes de trocar de modelo, vale observar se o desconforto aparece só na mamadeira ou também no peito, porque se for só na mamadeira, o problema costuma estar no fluxo do bico ou na forma como o bebê é posicionado durante a mamada, não na ausência do sistema anticólico. Segurar o bebê semi-sentado, com a cabeça mais alta que o corpo, e fazer pausas para arrotar a cada poucos minutos já reduz bastante o ar engolido, mesmo numa mamadeira comum. Se, mesmo com esses ajustes, o desconforto continuar forte e frequente, aí sim vale considerar a troca para um modelo anticólico, começando por um mais simples antes de investir nos mais elaborados do mercado.
Então vale a pena
Vale a pena se você entende o que esperar: uma mamadeira anticólica é uma boa aliada contra os gases por ar engolido, não uma cura para a cólica. Para o bebê que mama na mamadeira e sofre com gases, ela pode fazer diferença; para quem espera silêncio absoluto, vai frustrar. Se for comprar, escolha um modelo com poucas peças e fácil de limpar, e lembre que a cólica é uma fase que passa por volta dos três a quatro meses, com ou sem mamadeira especial. Qual modelo serve melhor para os primeiros dias é assunto do guia sobre qual mamadeira serve para recém-nascido. As orientações gerais sobre a cólica e os primeiros meses seguem a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra. Se o choro for intenso, vier com febre, vômitos, sangue nas fezes ou pouco ganho de peso, procure atendimento.