Marianna DantasPor Marianna Dantas|Atualizado em 10 de agosto de 2026|4 min de leitura
Chupeta Faz Mal ao Bebê? O Que Muda Entre Usar Até 1 Ano e Até os 3

A chupeta faz mal ao bebê? A resposta honesta é que depende de como e até quando ela é usada. Nos primeiros meses, oferecida com bom senso, a chupeta acalma, ajuda o bebê a se organizar para dormir e satisfaz a necessidade natural de sucção. O problema não está no objeto, e sim no exagero: o uso o dia inteiro e por vários anos é que pode cobrar seu preço nos dentes e na fala. Em vez de uma lista de proibições, vale separar o que é mito do que é verdade sobre a chupeta, porque quase toda preocupação comum tem um fundo real e um exagero por cima.

Mito ou verdade: a chupeta estraga os dentes

Verdade em parte, e o detalhe faz toda a diferença. Nos primeiros anos, quando a criança ainda está formando os dentes de leite, o uso moderado da chupeta não deixa marca permanente. O que preocupa os dentistas é o uso prolongado, mantido depois dos dois ou três anos e por muitas horas ao dia. Aí sim a pressão constante do bico pode empurrar os dentes da frente e alterar o formato da arcada, um quadro que costuma se corrigir sozinho quando a chupeta sai a tempo. Ou seja, a conta não é “usou, estragou”, e sim “usou demais, por tempo demais”. Cuidar da boca desde cedo ajuda a acompanhar isso, e o momento de começar a higiene está no guia sobre quando começar a escovar os dentes do seu bebê.

Criança pequena sorrindo e mostrando os dentes de leite, tema da relação entre chupeta e saúde bucal

Mito ou verdade: a chupeta atrapalha a amamentação

Verdade no começo, mito depois. Nas primeiras semanas, enquanto o bebê ainda aprende a mamar e a pega no peito não está firme, a chupeta pode confundir esse aprendizado, porque a sucção do bico é diferente da sucção da mama. Por isso a orientação geral é esperar a amamentação engrenar antes de introduzir a chupeta. Uma vez que o peito está bem estabelecido e o ganho de peso vai bem, a chupeta deixa de ameaçar a amamentação e volta a ser só um recurso de conforto. A pressa é a inimiga aqui, não a chupeta em si.

Mito ou verdade: a chupeta vicia e a criança nunca larga

Mito, pelo menos no sentido de vício. A chupeta atende a uma necessidade real de sucção não nutritiva, aquela que acalma o bebê mesmo sem fome, e por isso vira um hábito de conforto forte. Mas hábito não é dependência química, e a maioria das crianças larga a chupeta com naturalidade quando os pais conduzem a retirada com paciência e no momento certo. A mesma sucção que conforta ajuda, inclusive, em fases de choro intenso, o que se conecta com as estratégias para aliviar a cólica nos primeiros meses.

Mito ou verdade: a chupeta prejudica a fala

Verdade quando o uso é o dia inteiro. Com a chupeta na boca a toda hora, o bebê balbucia menos, treina menos os sons e pode atrasar um pouco a fala, além de favorecer alterações na mordida que também afetam a pronúncia. A solução não é abolir, e sim restringir: reservar a chupeta para a hora de dormir e para momentos de grande desconforto, deixando a boca livre para explorar sons durante o dia. Acompanhar as conquistas de cada fase ajuda a perceber se está tudo no ritmo, e esse mapa está no guia de desenvolvimento do bebê mês a mês.

Mito ou verdade: a chupeta ajuda o bebê a dormir com segurança

Verdade, e essa é a parte que muita gente não sabe. Oferecer a chupeta na hora de dormir, depois que a amamentação está estabelecida, é associado pela Sociedade Brasileira de Pediatria a um menor risco de morte súbita no sono do bebê. Se a chupeta cair durante a noite, não é preciso recolocar. O que não pode é prender a chupeta ao berço ou ao pescoço do bebê com cordões, pelo risco de enrosco, um cuidado que faz parte de deixar o berço seguro, tema do guia sobre o que colocar no enxoval do berço.

Então, afinal, a chupeta faz mal

No fim das contas, o que faz mal não é a chupeta, é o uso sem limite. Usada nos primeiros anos, de forma moderada e principalmente na hora de dormir, ela é uma aliada do conforto e do sono. Vira problema quando acompanha a criança o dia inteiro e por muito tempo, mexendo com os dentes e com a fala. Vale ainda escolher um bico de qualidade e do tamanho certo para a idade, porque isso também influencia a boca, um cuidado detalhado no guia sobre qual o melhor tipo de bico para recém-nascido e no de tamanho de bico por idade. Seguindo o bom senso e conversando com o pediatra e o odontopediatra sobre a hora de tirar, a chupeta passa longe de ser a vilã que muita gente imagina. As orientações gerais de saúde da criança estão reunidas no portal de Saúde da Criança do Ministério da Saúde.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra e do odontopediatra, que acompanham o desenvolvimento e a saúde bucal do seu filho e orientam o melhor momento para retirar a chupeta.