Uma caminhada corriqueira até um brechó virou registro de pura ternura e chamou atenção nas redes sociais. A britânica Bekah Cook, mãe de três crianças, gravou o instante em que a filha do meio, Zali, de 3 anos e autista, protege o caçula Ziggy, de 9 meses, do barulho intenso da rua. Sem qualquer pedido, a pequena se inclinou sobre o carrinho e cobriu os ouvidos do irmão por conta própria.
O gesto, captado no Condado de Durham, Reino Unido, foi publicado por Bekah em seu Instagram e rapidamente viralizou. Mais que um registro fofo, o vídeo levanta discussões sobre empatia e questões sensoriais enfrentadas por pessoas no espectro autista.
Ruído na rua aciona instinto protetor
Bekah conta que, a caminho do brechó local, o tráfego estava especialmente barulhento. “Suspeitei que fosse um gatilho sensorial”, lembra. Antes que a mãe pudesse intervir, Zali colocou as mãos nos ouvidos de Ziggy e avisou: “O barulho está muito alto”. A atitude surpreendeu pela rapidez e pela preocupação com o bem-estar do irmão, mesmo que a própria menina também sofresse com o som.
O vídeo foi compartilhado com a legenda: “Ao protegê-lo, ela me mostrou algo lindo: sua sensibilidade não é apenas uma luta, é um dom”. O post acumulou comentários elogiando a compaixão de Zali e a iniciativa de Bekah em divulgar a cena.
Desafios sensoriais e uma demonstração de empatia
Quem é Zali, a menina que comoveu a internet
Segundo a mãe, Zali apresenta todas as características clássicas do autismo: fica não verbal em ambientes novos, reage fortemente a sons e é hipersensível a texturas. Por isso, usa sempre a mesma camiseta e leggings, os únicos tecidos que tolera. Protetores auriculares, sugeridos por muitas pessoas, também são descartados porque o contato com os fones provoca outro desconforto.
A menina ainda lida com Evitação Patológica de Demanda (EPA), perfil do espectro em que tarefas simples podem gerar respostas de ameaça. Pedir que coloque fones de ouvido, por exemplo, costuma resultar em crise. Bekah, que também é autista, convive com transtorno bipolar, dislexia, fibromialgia, osteoartrite e síndrome da hipermobilidade, o que a ajuda a reconhecer os sinais na filha.
Imagem: Internet
Bekah destaca que o episódio derruba o mito de que pessoas autistas não sentem empatia. “A conexão emocional de Zali e o instinto de proteger Ziggy estão entre as demonstrações mais bonitas que já vi”, afirma. Ela lembra que, mesmo aos 3 anos, a menina percebe quando o bebê está incomodado: canta a música preferida dele ou entrega a chupeta antes que alguém peça.
Emocionada, a mãe deseja que o vídeo — disponível neste link — sirva para conscientizar sobre questões sensoriais muitas vezes invisíveis. “Os pais são especialistas em seus filhos. Confie no seu instinto”, aconselha.
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