Graziela Tomasi Bertolini precisou de 42 anos para desmontar uma história familiar que parecia resolvida. Criada em Brusque (SC) por mãe solo e avó, a terapeuta e empresária sempre soube o nome do homem apontado como seu pai biológico. Porém, um teste de ancestralidade, feito em 2023, revelou que ele não tinha qualquer vínculo genético com ela. Foi o primeiro grande choque.
Entre buscas em cartórios, hospitais e cadastros de nascimentos, Graziela chegou a cogitar ter sido trocada na maternidade. Só quando recorreu a um teste genético da plataforma Genera, em parceria com a Dasa, a catarinense confirmou que era filha de sua mãe — mas não daquele homem. A partir daí começou uma caçada por respostas que atravessou décadas, envolveu coincidências dolorosas e terminou com o encontro de três irmãs que ela nem imaginava ter.
Primeiras pistas e silêncios
Filha única durante toda a infância, Graziela pouco falava sobre paternidade em casa. Em raros momentos, a mãe apontava o comerciante local — que morreria de infarto em 2004 — como o suposto pai. Aos 16 anos, a jovem foi até a loja dele fingindo ser cliente; o homem se mostrou nervoso e ela saiu sem revelar quem era.
Na Páscoa de 2004, a coincidência foi certeira: no mesmo fim de semana em que a mãe de Graziela teve morte cerebral, o comerciante também faleceu. Três dias depois, a mãe da terapeuta morreu. Nessa época, Graziela conheceu Guedria, outra filha não reconhecida do comerciante, e as duas mantiveram contato acreditando ser irmãs por parte de pai.
Quando o DNA muda tudo
Em 2023, enquanto montava a árvore genealógica das filhas de 9 e 17 anos, Graziela decidiu oficializar a paternidade. Reuniu Guedria e parentes do comerciante para um exame de DNA — resultado: incompatibilidade total. Desconfiada de erro laboratorial, a catarinense investigou chances estatísticas e constatou que a probabilidade era mínima.
Sem respostas, ela vasculhou registros do hospital em que nasceu e a lista de bebês do mesmo dia, sem encontrar irregularidades. O quadro mudou quando ela e uma prima submeteram amostras ao teste Genera. O laudo trouxe forte compatibilidade entre as duas, confirmando que Graziela era filha biológica da própria mãe.
Imagem: Internet
A chegada das novas irmãs
Mesmo com a garantia de maternidade, faltava o pai. O banco de dados mostrava apenas parentes de terceiro grau, dificultando a busca. Em novembro de 2024, Talita — sem ligação conhecida com Graziela — comprou o mesmo teste por curiosidade. Quatro meses depois, o sistema apontou “correspondência altíssima” entre as duas.
O contato foi imediato. A empresária detalhou sua história, Talita aceitou conversar e mais familiares testaram amostras. Com resultados cruzados, ficou claro: eram irmãs. Outras duas mulheres, Tatiana e Thaís, também apareceram nos relatórios, formando o quarteto. Todas são filhas de um homem que morreu de câncer em 2000, marido da mãe delas na época em que engravidou Graziela.
Hoje, a catarinense mantém relação próxima com as três. As novas tias e a avó materna das irmãs acolheram as filhas de Graziela, que passaram a chamá-la de “avó de coração”.
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