#TBT do aleitamento materno: Moises Chencinski relembra primeiro texto e desafia mitos sobre amamentar

Quinta-feira costuma ser o dia em que as redes sociais tiram do baú lembranças marcadas pela hashtag #TBT. Hoje, o pediatra Moises Chencinski faz exatamente isso: puxa o fio de memória de seu primeiro artigo sobre amamentação, publicado em 7 de maio de 2021, e, ao mesmo tempo, expõe o cenário atual que cerca mães e bebês.

Entre recordações pessoais e dados concretos, o médico coloca em xeque a ideia de que amamentar seja simples. Ele revisita números, cita recomendações internacionais e relata a enxurrada de especialistas que orbitam o tema, muitas vezes sem agir em conjunto. O resultado, segundo ele, é um ambiente repleto de promessas de “sucesso garantido” que pouco dialoga com a experiência real de quem amamenta.

Nesse retorno ao passado, Chencinski também lança uma pergunta direta às mulheres: o que, na prática, ajudaria a proteger, apoiar e promover a amamentação hoje?

A origem do #TBT e o primeiro artigo

#TBT é a sigla de “Throwback Thursday” (“Quinta-feira da lembrança”), expressão popularizada em 2006 pela marca de tênis Nice Kicks, que postava fotos de modelos antigos sempre às quintas. Aproveitando o clima nostálgico, Chencinski lembra que escreveu seu primeiro texto da coluna “Eu Apoio Leite Materno” numa quinta, 6 de maio de 2021, publicado no dia seguinte. O título? “Amamentar é natural, é simples, é fácil. Só que não!”.

Logo na linha fina, ele já desmistificava o discurso de facilidade: “Amamentar é uma escolha, é uma cultura, é mais solitário do que deveria ser, é ciência!”. O pediatra, que integra a WABA (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno) e coordenou o livro “Aleitamento Materno na Era Moderna. Vencendo Desafios”, confessa ainda se surpreender com a enxurrada de “cases de sucesso absoluto” exibidos nas redes.

Panorama da amamentação e as vozes que faltam

Chencinski relembra pilares reconhecidos mundialmente: o leite materno é padrão-ouro na alimentação infantil, e a Organização Mundial da Saúde recomenda amamentação desde a sala de parto até dois anos ou mais, sendo exclusiva e em livre demanda nos primeiros seis meses. Apesar disso, dados nacionais mostram avanço modesto: entre 2006 e 2019, o aumento de aleitamento materno exclusivo em crianças abaixo de seis meses foi de apenas 8,6%.

O pediatra aponta que, antes cercado pela ancestralidade feminina, o ato de amamentar ganhou novos protagonistas: pediatras, enfermeiras, fonoaudiólogas, nutricionistas, doulas, fisioterapeutas, consultoras e tantos outros. Sem trabalho integrado, as tentativas de ajuda podem falhar, abrindo brecha para a indústria vender soluções rápidas.

Quem realmente ouve as mães?

Para ilustrar a sensação de “todo mundo acerta, menos eu”, Chencinski cita trechos de “Poema em linha reta”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. O efeito, segundo ele, é ver mães e bebês cada vez mais invisibilizados, enquanto discursos triunfalistas se multiplicam online.

“Nutrizes carecem de escuta, visibilização, reconhecimento e respeito”, reforça o médico, perguntando às próprias mulheres quais ações seriam eficazes para apoiar a amamentação — seja rodas de conversa, podcasts, espaços de escrita ou maior participação feminina na política.

A reflexão fica aberta. E você, leitora, já sabe: acompanhe mais conteúdos sobre maternidade e saúde infantil e participe da conversa.

Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

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