Não é de hoje que a sífilis faz parte das grandes preocupações da saúde pública, mas, quando o assunto é gravidez, o alerta sobe alguns degraus. A infecção, causada pela bactéria Treponema pallidum, ainda ameaça mães e bebês no Brasil, apesar de ser facilmente diagnosticada e tratável. Uma simples falha no pré-natal pode ser suficiente para que a doença passe despercebida e coloque em risco toda a gestação.
O teste é rápido, gratuito pelo SUS e o resultado sai em cerca de 30 minutos. Ainda assim, números de sífilis congênita continuam subindo no país. Por trás disso, especialistas apontam diagnóstico tardio, tratamento incompleto e até falhas de notificação. Ou seja, informação é a chave para manter mãe e filho seguros.
Riscos para a mãe e para o bebê
Se a gestante estiver infectada, a bactéria pode atravessar a placenta em qualquer fase da gravidez ou contaminar o bebê no parto. Entre as complicações mais comuns estão aborto espontâneo, parto prematuro e problemas gestacionais variados. Para o recém-nascido, o perigo é maior: a chamada sífilis congênita costuma ser silenciosa no início e, quando não tratada, pode causar cegueira, surdez, alterações neurológicas, problemas ósseos, dentários e atraso no desenvolvimento. Em situações extremas, leva ao óbito.
Testagem em três momentos e tratamento simples
A triagem precisa acontecer logo na primeira consulta de pré-natal, preferencialmente no começo da gestação. Depois disso, o exame deve ser repetido no terceiro trimestre, a partir da 28ª semana, e novamente próximo ao parto. Como a mulher pode se infectar a qualquer momento, essas checagens periódicas garantem detecção precoce.
Quando o resultado é positivo, o tratamento com antibiótico é seguro para mãe e bebê. Iniciado rapidamente, ele evita a transmissão e assegura uma gravidez mais tranquila. Mas há um detalhe crucial: o parceiro — ou parceira — também precisa ser avaliado e tratado, mesmo que o teste inicial seja negativo. Só assim se impede a reinfecção e se interrompe a cadeia de transmissão.
Imagem: Internet
Seguimento após o parto
Nasceu tudo bem? Ainda não acabou. O bebê deve realizar exames específicos após o nascimento e manter acompanhamento nos meses seguintes até que médicos confirmem a ausência da doença. A mãe, por sua vez, continua em monitoramento até receber alta definitiva.
Especialistas reforçam que o caminho para reduzir os casos de sífilis congênita passa, essencialmente, por testagem ampla, início imediato do tratamento e informação clara a todos os envolvidos. O Sistema Único de Saúde oferece tanto o exame quanto o medicamento de forma gratuita, facilitando o acesso aos cuidados necessários.
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