Dor repentina, inchaço, diferenças de tamanho ou um volume que aparece de um lado só. Esses sinais, muitas vezes sutis, podem indicar que algo não vai bem na região íntima dos meninos – inclusive ainda no berço. Mesmo assim, muita gente só associa urologista à fase adulta e deixa passar alterações importantes.
Especialistas como o urologista pediátrico Eliakim Massuqueto defendem que o exame dos testículos comece no primeiro ano de vida e se estenda pela adolescência. A lógica é simples: diagnosticar cedo garante desenvolvimento adequado, preserva a fertilidade e evita emergências graves, inclusive tumores.
Avaliação deve começar no berço
Logo após o parto, qualquer assimetria, volume aumentado ou bolsa vazia já justifica uma visita ao urologista. Entre 2,5 e 3 anos, o mesmo especialista reavalia fimose e desenvolvimento genital, além de orientar o desfralde. A partir daí, sintomas como escapes de urina, urgência ou xixi na cama persistente também entram no radar.
Na puberdade, o foco muda: tamanho do pênis, presença de varicocele e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. É nessa fase que o jovem aprende a autopalpação dos testículos, prática que ajuda a detectar nódulos silenciosos.
Os 7 problemas mais frequentes
Veja o que pode acontecer com os testículos do nascimento à adolescência e como cada situação é tratada.
1. Testículo não descido (criptorquidia)
Alteração congênita em que o órgão não chega à bolsa escrotal antes do parto. Prematuridade e baixo peso ao nascer elevam o risco. Caso não desça até 1 ano, indica avaliação imediata. A demora favorece infertilidade e aumenta a probabilidade de câncer. Tratamento: cirurgia após o primeiro aniversário, se não houver descida espontânea.
2. Varicocele
Dilatação das veias testiculares, típica dos 12 a 18 anos. Parece um “saco de minhocas” e provoca sensação de peso. É a principal causa de infertilidade masculina na vida adulta. Tratamento: cirurgia em casos moderados a graves ou quando há risco reprodutivo.
3. Hidrocele
Acúmulo de líquido ao redor do testículo; a bolsa fica maior e translúcida. Costuma sumir sozinha até os 2 anos. Tratamento: cirurgia se persistir depois dessa idade ou quando há comunicação com o abdômen, prevenindo hérnia.
4. Torção testicular
Emergência absoluta: o testículo gira sobre si e bloqueia a circulação sanguínea. Dor intensa e súbita, náuseas e mudança no posicionamento da bolsa são os principais avisos. O conserto deve ocorrer em até 6 horas para evitar a perda do órgão. Tratamento: cirurgia imediata.
Imagem: Internet
5. Orquite e epididimite
Inflamações causadas por vírus ou bactérias. Quando tratadas adequadamente, costumam não deixar sequelas. Tratamento: repouso, anti-inflamatórios e, se necessário, antibióticos.
6. Câncer de testículo
Raro na infância, mas pode aparecer na adolescência, sobretudo em quem teve testículo não descido. Manifesta-se como nódulo duro, sensação de peso ou aumento de volume, geralmente sem dor. Tratamento: retirada cirúrgica do testículo (orquiectomia) e, conforme o estágio, quimioterapia ou radioterapia.
7. Hérnia inguinal
Quando parte do intestino desce da virilha em direção ao escroto. O maior perigo é o encarceramento da hérnia, provocado por dor intensa e risco de comprometimento da irrigação. Tratamento: cirurgia assim que diagnosticada.
Quando ligar o sinal de alerta
Massuqueto recomenda observar diariamente o posicionamento dos testículos e qualquer mudança na bolsa escrotal. Proteger a região em práticas esportivas, buscar atendimento imediato em caso de dor súbita – especialmente à noite – e levar ao médico nódulos, inchaços ou assimetrias, mesmo sem dor, são atitudes simples que fazem diferença.
O urologista Ubirajara Barroso Jr. reforça que evitar traumas já elimina boa parte dos problemas. Além disso, incentivar o adolescente a conhecer o próprio corpo e manter a vacinação contra HPV em dia compõem a linha de frente da prevenção.
Com essas medidas e acompanhamento regular, é possível reduzir complicações que afetam fertilidade e saúde sexual no futuro.
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