Buscar a filha quase às 21h virou algo tão comum para o chinês Ray que ele só percebeu o tamanho da maratona dela quando gravou um vídeo curto para o TikTok. Bastou publicar a cena para o clipe disparar em visualizações no mundo todo e provocar o debate: quantas horas uma criança passa – ou deveria passar – dentro da escola?
No registro, Ray chega ao colégio às 20h45, coloca a menina Cindy no carro, faz uma parada numa loja de conveniência para comprar o jantar e só então segue para casa. Entre banho, tarefa pendente e a tentativa de dormir antes das 23h, resta pouco tempo livre até o despertador tocar às 6h da manhã seguinte.
Jornada que começa antes das 7h
A rotina de Cindy, aluna do 7º ano, começa às 6h50, horário em que todos os estudantes precisam estar na sala para uma leitura obrigatória em chinês e inglês. Depois vêm quatro aulas de 45 minutos – normalmente chinês, inglês, matemática e ciências – com intervalos de 10 minutos.
Terminada a segunda aula, a turma vai para o pátio correr um quilômetro. O almoço é seguido de um cochilo de aproximadamente uma hora, prática comum nas escolas chinesas. À tarde, mais cinco disciplinas básicas ocupam a grade. Educação física, música e artes aparecem apenas duas vezes por semana e, perto das provas, dão lugar às matérias consideradas principais.
Após o jantar oferecido na própria instituição, três sessões de estudo noturno são dedicadas à lição de casa. Nem sempre o conteúdo é concluído ali, e Cindy costuma levar pelo menos mais 30 minutos de tarefas para cumprir em casa, já depois das 20h30.
Pressão por notas altas molda rotina
Ray recorda que viveu algo parecido quando era aluno, mas só agora percebe o impacto de 14 horas diárias de estudos na vida da filha: “O dia tem 24 horas; se 14 ficam na escola, sobra quase nada para ela”, comenta.
Imagem: Internet
Segundo ele, o ensino fundamental e médio no país giram em torno dos exames de ingresso na universidade. A crença de que uma boa nota garante vaga em instituição prestigiada e, consequentemente, um futuro melhor, sustenta o cronograma puxado.
Vídeo viral e repercussão inesperada
No TikTok, a gravação de Ray rendeu milhões de visualizações e centenas de comentários sobre a rotina de Cindy. Muitos jovens internautas disseram ter se sentido motivados a estudar mais; outros demonstraram preocupação com o pouco tempo livre da garota. Para a própria Cindy, a enxurrada de mensagens foi animadora e reforçou o desejo de aprimorar o inglês.
Ray define a experiência como “ganha-ganha”: além de expor uma realidade que poucos conheciam, viu a filha ser acolhida por pessoas do mundo inteiro. “Eu não imaginava que o vídeo teria tamanha repercussão”, admite.
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