Revisão no BMJ não confirma ligação entre uso de paracetamol na gravidez e autismo infantil

O paracetamol, velho conhecido de quem busca alívio para dor e febre, voltou aos holofotes depois de declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre um possível risco de autismo em crianças expostas ao medicamento ainda no útero. A polêmica acendeu o alerta em gestantes do mundo todo. Agora, uma revisão publicada nesta segunda-feira (10) no British Medical Journal coloca um freio nessa discussão.

Ao analisar de forma minuciosa pesquisas já existentes, o novo trabalho concluiu que ainda não há evidência clara de que o uso do analgésico durante a gestação aumente a chance de Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nos filhos. As mães, segundo os autores, podem recorrer ao medicamento quando necessário — sempre com orientação médica.

O que os cientistas investigaram

Para chegar ao resultado, pesquisadores da Universidade de Liverpool reuniram nove revisões sistemáticas que, juntas, somam 40 estudos observacionais sobre o tema. Quatro dessas revisões aplicaram meta-análise, técnica que combina dados de vários estudos para obter uma estimativa mais precisa do efeito analisado.

Cada revisão foi verificada quanto a risco de viés e classificada em nível de confiança: alta, moderada, baixa ou criticamente baixa. Sete das nove revisões receberam o selo “criticicamente baixa” e apenas duas ganharam “baixa”. Todas apontaram alguma associação entre paracetamol na gravidez e risco de TEA, TDAH ou ambos, mas sete delas recomendaram cautela ao interpretar os achados devido a fatores não medidos — como genética e ambiente familiar — que podem distorcer o resultado.

Principais limitações observadas

Segundo os autores da revisão:

  • houve grande sobreposição de estudos entre as revisões analisadas, o que diminui a diversidade de fontes;
  • a maioria dos trabalhos não considerou fatores genéticos e ambientais compartilhados por irmãos;
  • não foi possível avaliar dose, frequência ou momento do uso do paracetamol durante a gestação.

Em dois estudos que controlaram adequadamente variáveis como saúde mental dos pais, histórico familiar e estilo de vida, a suposta relação entre o analgésico e os transtornos neurocomportamentais desapareceu ou ficou bem menos evidente.

Orientação para gestantes continua a mesma

Apesar das incertezas, o paracetamol segue classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento de baixo risco. A Instrução Normativa nº 265/2023 o mantém na lista de produtos que dispensam receita, graças ao histórico de uso seguro e monitorado ao longo de décadas.

Para a professora Shakila Thangaratinam, que liderou a revisão, as novas evidências devem tranquilizar as gestantes: “Não encontramos ligação clara entre o uso de paracetamol na gravidez e diagnósticos de autismo ou TDAH na infância”. A colega Louise Kenny, da mesma universidade, aproveitou para destacar um problema mais amplo: a falta de investimento contínuo em pesquisas voltadas à saúde feminina, sobretudo no período gestacional.

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Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

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