Antes mesmo de o bebê nascer, o organismo da mãe já se movimenta para garantir o alimento perfeito dos primeiros meses de vida. Dentro das mamas, uma verdadeira linha de montagem transforma água e nutrientes em um líquido rico em lactose, proteínas e gorduras.
O processo, que depende de hormônios e de estímulos frequentes do recém-nascido, costuma levantar dúvidas e gerar mitos. A seguir, confira como a produção acontece, o que pode atrapalhar o volume de leite e por que o tamanho dos seios não interfere na amamentação.
De onde vem o leite materno
Tudo se passa nos lóbulos das glândulas mamárias. Ali, a água e os nutrientes do sangue materno viram lactose, caseína, lipídeos e demais componentes do leite. Esse líquido é armazenado em alvéolos e, por meio dos ductos lactíferos, chega aos mamilos para ser sugado.
O ciclo começa ainda na gestação. Durante a lactogênese I, as mamas se preparam e uma pequena quantidade de leite é produzida. Entre 24 e 72 horas após o parto ocorre a lactogênese II, quando o volume aumenta de forma marcante, marcando a troca do colostro pelo leite maduro. Depois dessa arrancada inicial, a etapa de galactopoiese mantém a produção em ritmo constante, sempre proporcional ao esvaziamento das mamas.
Hormônios que comandam a lactação
Estrogênio e progesterona crescem durante a gravidez para desenvolver ductos e alvéolos, mas impedem a saída de leite. Após o parto, seus níveis despencam, liberando espaço para a atuação da prolactina, principal responsável pela síntese do leite. Já a ocitocina entra em cena quando o bebê suga, contraindo as células ao redor dos alvéolos e empurrando o líquido para fora. Insulina, cortisol e o bom funcionamento da tireoide também colaboram com toda essa engrenagem.
O que interfere na produção e os principais mitos
A sucção frequente é o maior estímulo: quanto mais o bebê mama, maior a liberação de prolactina e ocitocina. Contato pele a pele, troca de olhares e esvaziamento completo da mama ajudam a sustentar o fluxo.
Imagem: Internet
Desidratação, estresse, pouco sono ou dificuldades na pega podem reduzir o volume de leite. Nesses casos, recomenda-se buscar apoio de pediatra ou consultor de amamentação, ajustar posições, amamentar em livre demanda, descansar e manter boa hidratação e alimentação.
Alguns mitos persistem. Não existe “leite fraco”: independentemente da cor ou consistência, o alimento contém tudo de que o bebê precisa. Também não há relação entre tamanho do seio e quantidade produzida; o que conta é a presença de glândulas e o estímulo constante. Por fim, chás ou receitas caseiras não comprovam aumento de produção: a ciência aponta que frequência de mamadas e remoção eficiente do leite são os fatores decisivos.
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