Por que a Holanda lidera o ranking de felicidade infantil, segundo brasileiras que moram lá

Ir para a escola pedalando sozinha, ter boletins sem cobrança excessiva e aproveitar horas vagas com a família ainda no meio da semana. Esse é o dia a dia descrito por brasileiras que criam filhos na Holanda, país que aparece no topo do relatório da Unicef de 2025 sobre bem-estar infantil, entre 43 nações avaliadas.

O documento aponta alto grau de satisfação de crianças e adolescentes, baixas taxas de sobrepeso e mortalidade infantil, bons resultados acadêmicos e o menor índice de suicídio juvenil. Como pano de fundo, adultos trabalham em média 32 horas semanais, a expectativa de vida chega a 82 anos e políticas de sustentabilidade estão por toda parte.

Infância de bicicleta, pouca cobrança e tempo em família

A vendedora goiana Joyce Aurora, 37 anos, desembarcou em Haarlem em 2012 para aprimorar o inglês. Casou-se com um holandês-finlandês e hoje cria Olivia, 7, e Samuel, 3. “A estabilidade familiar, a escola acessível e o apoio social fazem diferença”, relata. Segundo ela, a segurança permite que os pequenos circulem com autonomia — prática comum num país onde a jornada de trabalho curta libera pais para acompanhar deveres e brincadeiras.

Joyce ressalta, porém, que a saúde preventiva não é tão forte quanto no Brasil. “Consultas pediátricas são menos frequentes, e isso assusta quem cresceu com outro tipo de cuidado.” Mesmo assim, a família não pensa em voltar: “Nos sentimos seguros aqui”.

Quando o alto padrão encontra o bolso apertado

A realidade muda para muitos imigrantes. A paraense Claudia Sousa, 35, chegou a Amsterdã em 2010 com o marido, ambos trabalhando como faxineiros. Depois de breve retorno ao Brasil e o nascimento de Enzo Luka em 2015, eles voltaram à capital holandesa em 2017. O casal paga 800 euros por um quarto na casa do patrão e, em dias de três limpezas, soma cerca de 320 euros. “Meu filho tem ensino melhor e mais segurança, mas vive pedindo para voltar. Não se sente em casa”, conta.

Filhos de imigrantes x filhos de nativos

Claudia observa que muitos brasileiros dividem apartamentos lotados para cobrir custos. “As crianças holandesas são felizes, mas as de imigrantes vivem outra história”, resume.

Já a criadora de conteúdo Ana Fadalti, 41, morou pouco tempo na Holanda e hoje vive na França com Leonard, 13, e Celestine, 8, revisitando os Países Baixos com frequência. Ela confirma a sensação de tranquilidade: “A vida parece calma e reflete nas famílias”. Para Ana, se Brasil tivesse o mesmo nível de saúde, educação e segurança, “nossas crianças seriam as mais felizes do mundo”.

Clima frio, refeições rápidas à base de pão e pouca rede de apoio também aparecem entre os desafios apontados pelas entrevistadas. Mesmo assim, o consenso é de que a combinação de escolas menos competitivas, ruas seguras e pais mais presentes sustenta o título de país com as crianças mais felizes do planeta.

Curtiu saber como é a vida familiar nos Países Baixos? Acompanhe nossos próximos conteúdos para conhecer outras experiências de brasileiros pelo mundo.

Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

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