Há décadas o Brasil não registra casos de poliomielite, mas a doença segue rondando o radar das autoridades sanitárias. O motivo? A cobertura vacinal anda abaixo dos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde, abrindo brechas para a reintrodução do vírus.
Nesta sexta-feira (24), Dia Mundial de Combate à Poliomielite, médicos e especialistas reforçam o alerta: só a imunização garante que as crianças continuem longe da paralisia infantil. A seguir, confira os principais pontos que mantêm a vacina indispensável.
O que é a poliomielite e por que ainda preocupa
Também chamada de paralisia infantil, a poliomielite é provocada pelos poliovírus dos tipos 1, 2 e 3. Altamente contagiosa, a infecção atinge o sistema nervoso e pode causar paralisia permanente. Mesmo sem sintomas, pessoas infectadas transmitem o vírus — e é justamente isso que alimenta o receio de novos surtos.
A Organização Mundial da Saúde mantém a poliomielite como emergência de saúde pública de interesse internacional. Aqui no país, o cenário não é diferente: a meta de 95% de cobertura vacinal ainda não foi alcançada, segundo o Ministério da Saúde.
Sintomas, transmissão e prevenção
Sintomas: Na forma não paralítica, a doença lembra um resfriado, com febre, mal-estar, dores no corpo, vômito, diarreia, espasmos e rigidez na nuca. Quando o vírus atinge os neurônios motores, surgem sinais mais graves: flacidez muscular — principalmente nos membros inferiores —, perda de reflexos, parestesia e, em casos severos, paralisia de músculos faciais, nervos cranianos e diafragma, o que pode dificultar deglutição e respiração.
Transmissão: O vírus passa pelo contato com fezes que contaminam água ou alimentos, além de secreções expelidas pela boca ao falar, tossir ou espirrar. O período de incubação costuma variar de 7 a 21 dias.
Imagem: Internet
Novo esquema de vacinação injetável
Até novembro de 2024, a imunização era feita pelas conhecidas gotinhas (VOP). Agora, o Sistema Único de Saúde substituiu a versão oral pela vacina inativada poliomielite (VIP), aplicada por injeção. O novo calendário ficou assim:
• 1ª dose: 2 meses
• 2ª dose: 4 meses
• 3ª dose: 6 meses
• Reforço: 15 meses
Segundo o Ministério da Saúde, a troca foi decidida em setembro com base em critérios epidemiológicos e recomendações internacionais, tornando o esquema ainda mais seguro. Não há cura para a poliomielite, e as sequelas podem ser permanentes — por isso, manter a carteirinha em dia é fundamental.
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