Dois ataques envolvendo pitbulls e crianças em menos de 24 horas, ambos no Estado do Rio de Janeiro, voltaram a colocar holofotes numa pergunta que nunca desaparece das redes: essa raça é, de fato, mais perigosa? Enquanto famílias buscam entender como proteger os pequenos, veterinários e adestradores reforçam que o foco não deve estar apenas no cão em si, mas no ambiente e na forma como o animal é criado.
Na prática, a discussão passa por temas como educação do pet, supervisão de adultos e reconhecimento de sinais de estresse canino — pontos que, segundo os especialistas, contam bem mais do que a raça. A seguir, veja o que aconteceu nos casos recentes e quais cuidados são considerados essenciais.
Ataques recentes no Rio reacendem alerta
Na última quarta-feira (12), um menino de 4 anos morreu depois de ser atacado por um pitbull no bairro de Irajá, Zona Norte da capital fluminense. Cerca de um dia depois, outro caso chamou atenção: cinco crianças ficaram feridas quando um pitbull entrou em uma escola municipal em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
Os episódios reforçaram o debate sobre segurança e levaram pais, cuidadores e educadores a questionarem se o problema estaria na raça. Especialistas, porém, explicam que cães de porte médio ou grande têm mais força e resistência; assim, quando um incidente acontece, as consequências tendem a ser mais graves. Isso não significa, contudo, que o pitbull seja naturalmente agressivo.
O que dizem os profissionais sobre comportamento canino
A médica-veterinária comportamentalista Camila Voloch, de São Paulo, afirma que o ambiente influencia “quase quatro vezes mais” o comportamento do animal do que a genética. Em outras palavras, fatores como rotina, socialização e experiências contam muito mais do que o rótulo da raça.
“Não existe cachorro mau por natureza”, reforçam treinadores consultados. Há Rottweilers calmos e Golden Retrievers que podem apresentar agressividade, dependendo de como foram educados. Nesse sentido, deixar qualquer criança sozinha com um cão — seja ele um pitbull ou um shih-tzu — aumenta o risco de acidentes, já que os pequenos não percebem sinais de desconforto do animal.
Imagem: Internet
Sinais de desconforto que não podem ser ignorados
Na maioria das vezes, o cachorro avisa que está incomodado antes de partir para um ataque. Entre os sinais mais comuns estão:
- piscar em excesso, bocejar ou lamber o focinho;
- desviar o olhar ou virar a cabeça;
- recuar, encolher o corpo ou colocar o rabo entre as pernas;
- ficar com o corpo rígido, mostrar os dentes ou rosnar.
Se esses alertas passam despercebidos e o contato continua, o cão pode avançar ou morder. Por isso, especialistas insistem na supervisão constante e na educação das crianças para respeitar limites do animal, evitando puxar rabo, orelhas ou subir sobre o pet.
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