Uma caminhada de rotina virou pesadelo para o garçom Cleudeir Marques de Sousa, 26 anos. De braços com o filho Heytor, de apenas cinco meses, ele saiu de um posto de saúde em Marabá, no sudeste do Pará, e, antes de chegar em casa, foi cercado por uma viatura da Polícia Militar.
Em poucos segundos, o pai ouviu a ordem para erguer as mãos, passou por revista e ainda teve de responder a pergunta que o deixou atônito: “Esse bebê é mesmo seu?”. Só depois de exibir a certidão de nascimento do menino, o jovem foi liberado. O episódio, registrado em vídeo e publicado por ele nas redes, ultrapassou 1,9 milhão de visualizações em questão de dias.
Abordagem surpresa na volta do postinho
O caso aconteceu no início de outubro, logo após uma consulta de rotina de Heytor. Segundo Cleudeir, os policiais revistaram seu corpo, vasculharam o carrinho e pareciam procurar algo ilícito. “Segurei meu filho com o braço direito e levantei a mão esquerda, sem reagir. Foi constrangedor, havia gente na rua parada, olhando”, relembra.
Quando questionado sobre o bebê, o garçom imediatamente apresentou os documentos que carrega justamente por causa do contraste de pele entre pai e filho. “Menino branco é igual moto: tem que andar com documento”, ironizou no vídeo gravado minutos depois da liberação. Mesmo rindo, ele admitiu que o sorriso era puro nervosismo.
Repercussão e relatos semelhantes
Postado no início de outubro, o vídeo viralizou e gerou centenas de comentários de pais e mães que viveram situações parecidas. “A gente ri, mas sabe que é racismo”, escreveu uma internauta. Outra contou ter sido confundida com babá da própria filha de três meses. Várias pessoas também mencionaram o hábito de sair sempre com a documentação das crianças.
Cleudeir, que já passou por outras revistas policiais sozinho, disse que nunca havia sido questionado sobre o filho. “Não esperava que acontecesse comigo, mas agora reforço: andem com os documentos dos pequenos”, aconselhou. Ele fez questão de destacar que os policiais não foram agressivos, mas classificou o momento como “extremamente constrangedor”.
Imagem: Internet
“Nós, pretos, somos alvos constantes”
Em meio ao impacto da repercussão, o jovem pai afirmou ter se surpreendido com o alcance da história. “Não imaginei que meu vídeo fosse tão longe. Muitas pessoas contaram que passaram pelo mesmo. Nós, pretos, sofremos muito preconceito, ainda mais se temos tatuagens ou não vestimos roupas ‘chiques’”, comentou.
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