O fim de tarde de sexta-feira (26/9) virou um pesadelo para Tamara Ventura Oliveira, 31 anos. Ao ser avisada pela responsável do transporte escolar de que sua filha não estava na saída da Escola Municipal Professora Thais Aparecida de Souza Freitas, em Ribeirão das Neves (MG), a dona de casa temeu o pior. A pequena Cecília, de apenas 2 anos, havia sumido sem deixar pistas.
Começou então uma corrida contra o relógio. Funcionários, pais e até o pai da criança vasculharam cada sala, corredor e área externa. Quando já era noite, o desespero deu lugar ao alívio: por volta das 19h30, o marido de Tamara encontrou a menina trancada em um dos banheiros, apavorada e completamente molhada de urina.
Busca angustiante e falhas de segurança
O alerta chegou às 17h15, quando a monitora do escolar não localizou Cecília na porta da escola. Sem câmeras internas que pudessem ajudar, ninguém soube explicar como a criança foi parar sozinha no sanitário nem quanto tempo permaneceu lá dentro. “Do momento em que recebi a ligação até encontrá-la foram cerca de duas horas, mas não sabemos a hora exata em que ela entrou no banheiro”, contou a mãe.
A diretora apenas pediu desculpas, segundo Tamara, mas não detalhou o ocorrido. A falta de imagens levou a Prefeitura de Ribeirão das Neves e a Secretaria Municipal de Educação a afastarem diretora, vice-diretora e educadora infantil até a conclusão da apuração. A gestão municipal informou ter realizado, em 2 de outubro, um plantão com todos os dirigentes das escolas para reforçar protocolos de segurança.
Prefeitura e Polícia Civil investigam
Em nota, a administração municipal declarou que “está tomando as medidas necessárias para apuração do fato” e ressaltou a realização de capacitações permanentes com as equipes. A Polícia Civil de Minas Gerais também abriu procedimento investigatório, que tramita em sigilo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Imagem: Internet
Consequências para a criança e próximos passos da família
Desde o susto, Cecília não voltou às aulas. A menina apresenta medo do escuro e do próprio banheiro, relata a mãe, que já providenciou matrícula em outra instituição. Um boletim de ocorrência foi registrado, e uma advogada entrou com ação contra a escola.
Exames médicos indicaram que a criança não sofreu danos físicos, mas uma avaliação psicológica ainda será realizada para medir os impactos emocionais. Enquanto isso, Tamara lida com sentimentos mistos: “Fiquei aliviada por encontrá-la, mas ao mesmo tempo me senti culpada pelo tempo que ela ficou sozinha e com medo”.
Quer continuar informado sobre segurança nas escolas e infâncias? Acompanhe outros conteúdos em nosso site e fique por dentro das atualizações.