O mestre em Psicologia Alexandre Coimbra Amaral se surpreendeu ao ver, ontem, os dois filhos mais velhos – de 18 e 16 anos – saindo abraçados rumo ao cinema. A cena, quase inimaginável anos atrás, fez o terapeuta familiar reconhecer o quanto a relação fraterna muda quando a vida adulta começa a se desenhar.
Para o especialista, crescer ao lado de um irmão é participar de um experimento contínuo de convivência intensa. Entre discussões por brinquedos e disputas pelo “bolo invisível” no prato, quatro forças — colaborar, dividir, competir e negociar — moldam o cotidiano dentro de casa. É nesse ambiente que se aprende a ceder, argumentar e construir alianças.
A química dos quatro verbos
Coimbra Amaral descreve a fraternidade como um campo onde, ora se joga no mesmo time, ora em lados opostos, dependendo da situação. Colaborar aproxima e gera cumplicidade; dividir ensina a encarar que o mundo não gira em torno de uma única pessoa; negociar prepara para lidar com frustrações inevitáveis; e competir, apesar de parecer dominante, deve conviver com as demais forças para evitar uma visão de mundo baseada só em vencedores e vencidos.
Quando o filho é único
Na ausência de irmãos, o psicólogo recomenda que a família incentive o contato próximo com amigos. Esses laços de amizade podem desenvolver o mesmo “laboratório” de empatia, cooperação e, sim, eventuais ressentimentos — ingredientes que ajudam na maturação emocional.
Abraço que resume a jornada
Ao relembrar o momento em que os filhos se abraçaram sem nenhuma intervenção adulta, Coimbra Amaral entende que eles já exercitaram, em doses generosas, as quatro forças da convivência. Hoje, podem se reconhecer como parceiros e, muitas vezes, como a companhia preferida um do outro.
Imagem: Alexandre Coimbra Amaral
Alexandre Coimbra Amaral é mestre em Psicologia pela PUC do Chile, palestrante, escritor, terapeuta familiar e de casais. Pai de Luã, 15, Ravi, 13, e Gael, 8, também é colunista do jornal Valor Econômico e consultor de saúde mental em escolas e empresas.
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