Quando a febre de 41 °C tomou conta de Erick, de apenas 1 ano e 10 meses, a esteticista Izabel Waiandt sentiu que algo não batia com a explicação de “virose” dada no hospital. Mesmo após exames iniciais liberarem o garoto para casa, o instinto materno não sossegou. Essa desconfiança virou peça-chave para salvar o caçula da família, que mora em Guimarães, norte de Portugal.
Foi uma sequência de madrugadas em claro, convulsões e idas e voltas à emergência até que, na quarta tentativa de punção lombar, veio a confirmação: meningite bacteriana. A contagem de bactérias era tão alta que a médica chegou a dizer que nunca vira uma criança sair sem sequelas em quadro semelhante. Izabel, de 29 anos, transformou a própria persistência em lição: “Não ache que é loucura da sua cabeça”.
Febre alta, convulsões e a volta apressada ao hospital
Na primeira ida ao pronto-socorro, exames de sangue e urina apontaram apenas uma virose, e a família foi orientada a retornar se a febre subisse ou surgisse nova convulsão. Horas depois, o cenário piorou: Erick não conseguia mais ficar sentado, mantinha o olhar perdido e teve outro episódio convulsivo ainda na porta do hospital. Rigidão no pescoço levantou suspeita de meningite, e a equipe realizou quatro tentativas até conseguir coletar o líquor para análise.
Diagnóstico, risco de falência de órgãos e reviravolta
Confirmada a meningite bacteriana, o menino foi internado imediatamente. Sem urinar havia mais de 24 horas e com o sistema digestivo paralisado, os médicos cogitaram cirurgia para colocação de bolsa de colostomia. No terceiro dia de antibiótico, porém, o organismo voltou a responder: o intestino funcionou e a sonda urinária pôde ser retirada. A febre só cedeu no quarto dia, e a alta veio após oito dias de internação. De acordo com a equipe, Erick tinha apenas 1 % de chance de sair sem danos neurológicos — cenário que, felizmente, não se confirmou.
Imagem: Internet
Entenda a meningite e como se proteger
A meningite é a inflamação das membranas que envolvem cérebro e medula. Pode ser viral ou bacteriana; esta última exige tratamento hospitalar imediato com antibióticos. Sintomas em crianças incluem febre, vômito, irritabilidade, rigidez na nuca e manchas arroxeadas (petéquias). No Brasil, vacinas contra sorogrupos A, B, C, W e Y estão disponíveis no SUS e em clínicas particulares, seguindo o calendário que começa nos primeiros meses de vida.
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