Quem esperava um período de relativa calmaria para a gripe fora do inverno se surpreendeu. Nas últimas semanas de setembro, exames em todo o país mostraram que o influenza A voltou a circular com força, principalmente entre crianças de 5 a 9 anos. Os números já se equiparam aos picos tradicionalmente vistos no auge do frio.
Segundo o Instituto Todos pela Saúde (ITpS), na semana epidemiológica encerrada em 20 de setembro, 30% dos testes realizados nessa faixa etária deram positivo para o vírus. O dado acende o alerta para escolas, famílias e profissionais de saúde, que precisam redobrar a atenção justamente num momento em que o calor costuma reduzir a presença da gripe.
Sazonalidade deixa de ser previsível
Historicamente, o período mais crítico para o influenza A ficava entre julho e agosto, conforme registro da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Em 2025, porém, o comportamento mudou: o maior índice geral de positividade apareceu ainda em maio, no outono, com 31%. Houve queda na sequência, mas o vírus voltou a ganhar terreno no fim do inverno e agora mostra novo salto.
Para Bárbara Chaves, pesquisadora científica do ITpS, o cenário reflete uma “quebra do padrão fixo de sazonalidade”: “Tivemos um pico em maio, depois queda e, agora, outro aumento em setembro, impactando principalmente as crianças”, destaca.
Crianças menores também sentem a alta
Entre os exames que investigam um painel completo de patógenos respiratórios, 60% dos resultados positivos em pacientes de 0 a 4 anos apontaram influenza A. O número chama atenção porque, nessa faixa etária, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) costumava liderar as detecções — e perdeu espaço nesta temporada.
Imagem: Internet
Os dados analisados pelo ITpS reúnem amostras dos laboratórios Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Hospital Israelita Albert Einstein, Sabin e Target, o que oferece um retrato amplo da circulação viral no país.
Prevenção segue sendo a principal arma
A vacinação contra a gripe continua na linha de frente para conter novos casos. Além dela, especialistas reforçam medidas simples: lavar bem as mãos, não compartilhar objetos pessoais, manter salas de aula ventiladas e evitar aglomerações. Pais e responsáveis devem observar sinais como febre alta, tosse persistente e dificuldade para respirar, procurando orientação médica quando necessário.
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