Aline Pereira, 28 anos, viu a rotina virar de cabeça para baixo quando a mãe, Gilvaneuda, foi diagnosticada com Alzheimer aos 52. A paulistana deixou o salão onde trabalhava como cabeleireira para acompanhar de perto a evolução da doença, marcada por lapsos de memória, desorientação e, mais tarde, alucinações agudas.
Na mesma casa, outro desafio chegou cedo: Gael, de apenas 3 anos, recebeu o laudo de autismo nível 2 de suporte. Entre consultas médicas, terapias e noites sem dormir, a jovem equilibra duas jornadas de cuidado que exigem atenção constante e muita paciência.
Primeiros sinais confundidos com estresse
Os alertas começaram quando Gilvaneuda ainda tinha 51 anos. Aline conta que a mãe “perdia” objetos dentro da bolsa, atravessava a rua sem notar o sinal fechado e chegava a deixar o fogão aceso após esquentar leite, queimando o acendedor. O episódio que mais assustou a família foi quando a mãe tentou abrir a casa do vizinho, acreditando estar na própria residência, onde moram há mais de duas décadas.
Preocupada, a filha marcou consulta com um neurologista que confirmou o Alzheimer. No início, ambas minimizaram o diagnóstico, apostando nos remédios para conter a progressão. A ilusão acabou quando Gilvaneuda passou a quebrar espelhos, jogar roupas pela casa e relatar pessoas imaginárias pedindo comida ou roubando seus pertences.
Alucinações mudam a rotina da família
Com as crises, Aline abandonou o trabalho e dividiu os cuidados com a cunhada. As noites em claro e as falas repetitivas acabaram afetando a saúde emocional da jovem, que busca orientação de um psiquiatra para a mãe e apoio psicológico para si mesma.
Diagnóstico de Gael soma novo desafio
Enquanto lidava com o avanço do Alzheimer, Aline notou que Gael, então com 9 meses, não respondia ao próprio nome e alinhava carrinhos de maneira incomum. O primeiro neurologista descartou o autismo, mas a intuição materna falou mais alto: aos 1 ano e 9 meses, um segundo especialista confirmou o transtorno.
Imagem: Internet
Após anos na fila, o menino começou há um mês a frequentar clínica com psicóloga, terapeuta ocupacional e fonoaudióloga. Mesmo não verbal, já compreende comandos simples e arrisca palavras como “água” e “Gael”, progresso que enche a família de ânimo.
Aline compartilha o dia a dia no Instagram @atipicasingular, onde soma mais de 32 mil seguidores. Os vídeos lhe rendem trocas de apoio, dicas médicas e até sessões gratuitas de terapia, ajudando-a a “reaprender a olhar para si”.
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