A tradicional espera até a 24ª semana para rastrear o diabetes gestacional pode estar com os dias contados. Um novo estudo sugere que uma simples amostra de sangue, colhida ainda no primeiro trimestre, consegue apontar quem tem mais chance de desenvolver a doença meses depois.
Publicado na revista BMC Medicine, o trabalho avaliou quase 100 moléculas presentes no sangue de gestantes entre a 10ª e a 14ª semanas. O resultado animou os pesquisadores: sete desses biomarcadores previram o problema com cerca de 80% de acurácia, sem necessidade de jejum ou ingestão da solução açucarada usada no teste oral de tolerância à glicose (TOTG).
Como o novo exame antecipa o diagnóstico
Atualmente, o TOTG continua sendo o padrão-ouro e só é realizado entre as 24 e 28 semanas. Nesse procedimento, a gestante passa a noite em jejum, bebe um líquido rico em glicose e faz várias coletas de sangue em um intervalo de até três horas.
No levantamento divulgado pela revista científica, as amostras foram coletadas aleatoriamente, o que simplifica bastante o processo. Entre as substâncias mais relevantes despontaram a hemoglobina glicada (HbA1c) e a proteína IGFBP-2, além da leptina, de alguns ácidos graxos e dos aminoácidos glicina e ácido aspártico.
Biomarcadores em destaque
HbA1c: já usada na clínica para medir a média de glicose dos últimos meses.
IGFBP-2: regula fatores de crescimento e metabolismo.
Leptina: hormônio ligado ao apetite.
Ácidos graxos, glicina e ácido aspártico: participam do manejo de energia e glicose.
Impacto na saúde da mãe e do bebê
O diabetes gestacional atinge até 14% das grávidas no mundo. Ainda que, muitas vezes, não provoque sintomas, ele aumenta o risco de pré-eclâmpsia, parto cesáreo e evolução para diabetes tipo 2. Para o bebê, há chance maior de macrossomia, hipoglicemia e parto prematuro.
Imagem: Internet
Segundo a ginecologista Ana Paula Beck, do Hospital Israelita Albert Einstein, entre os sete marcadores, apenas a HbA1c é rotina na prática clínica. Os demais dependem de métodos laboratoriais mais complexos e de validação em grandes grupos de gestantes antes de chegarem oficialmente aos consultórios. Enquanto isso não acontece, o TOTG permanece como referência.
A perspectiva, porém, é animadora: identificar o risco já no primeiro trimestre abriria espaço para ajustes precoces na dieta, incentivo à atividade física e monitoramento glicêmico intensificado, reduzindo complicações para mãe e filho.
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