Tablets, celulares e vídeos em ritmo frenético viraram cenário fixo na rotina infantil. Enquanto isso, muita casa se enche de brinquedos caros, mas esvazia no que realmente importa: presença. Nesse ambiente, o educador Marcelo Cunha Bueno acende o sinal de alerta. Para ele, estamos acelerando a infância ao mesmo tempo em que terceirizamos o afeto e empurramos as crianças para relações superficiais.
Bueno propõe uma pausa coletiva: menos correria para os adultos, mais escuta dedicada às crianças. Ele lembra que educar não é tarefa solitária nem processo automático. “Uma criança que erra e é acolhida aprende a confiar em si”, afirma o diretor da Escola Estilo de Aprender, pai de Enrique, 12 anos, e autor de “Sopa de pai” e “No chão da escola: por uma infância que voa”.
Infância atropelada por telas e consumo
Segundo o educador, a combinação de conteúdos rasos nas redes e a lógica dos presentes no lugar da presença cria referências confusas. Crianças são bombardeadas por estímulos visuais e vozes exageradas, mas encontram pouco espaço para vincular-se de verdade. O resultado, aponta ele, é uma geração que aprende a competir antes mesmo de entender o valor do processo ou do esforço.
Quando o afeto vira mercadoria
Para famílias com maior poder aquisitivo, a prática de substituir cuidado por objetos é comum. Já quem vive jornadas duplas ou triplas enfrenta ausências impostas pela necessidade de garantir a sobrevivência. Bueno destaca que não é justo comparar realidades tão diferentes: falta de escolha não se iguala à falta de tempo escolhida.
Educar: ato político, afetivo e coletivo
O especialista reforça que justiça para crianças passa por todos terem acesso a dignidade, não apenas quem está atrás dos muros de escolas caras. Empatia, diz ele, nasce de experiências compartilhadas e não de discursos. Para mudar o cenário, ele defende ações generosas e participação de toda a comunidade, lembrando que futuro algum prospera enquanto o presente segue excluindo.
Imagem: Marcelo Cunha Bueno
O artigo original pode ser lido em revistacrescer.globo.com.
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