Todo ano, na véspera de 12 de outubro, a cena se repete: prateleiras lotadas, pedidos de última hora e adultos tentando escolher o “melhor” brinquedo. Mas será que o tamanho da sacola traduz, de fato, o tamanho do afeto? A educadora financeira e colunista Clariana Barcelos lembra que o problema não está no presente em si, e sim no significado que ele ganha na cabeça das crianças.
Segundo a especialista, quando a relação entre adultos e filhos fica frágil, o objeto comprado vira ponte de afeto. A consequência pode ser perigosa: a criança passa a medir seu próprio valor pelo preço da etiqueta. Clariana defende que o presente continue existindo, mas perca o papel de único mensageiro de amor.
Um feriado que nasceu no berço do consumo
Em pesquisa sobre a história do dinheiro, Clariana descobriu que o Dia das Crianças foi popularizado em 1955 por uma campanha chamada “Semana do Bebê Robusto”. A data, portanto, não surgiu de um movimento educativo ou de um acordo internacional sobre direitos da infância, mas de uma estratégia publicitária.
A simbologia por trás do embrulho
Não é apenas o brinquedo que fala: o laço, o brilho da embalagem e a comparação com o pacote do colega também enviam mensagens. Para a colunista, quando o adulto associa carinho exclusivamente à entrega de coisas, a criança aprende que “ser amada” é sinônimo de “ganhar”. Esse aprendizado pode se estender à vida toda, influenciando a forma como ela lida com dinheiro e autoimagem na fase adulta.
Educação financeira começa na conversa, não na recompensa
Clariana frisa que pagar por tarefas ou usar presentes como prêmio não é educação financeira. Para ela, o dinheiro deve ser apresentado como ferramenta — não como régua de valor pessoal. Atitudes diárias, como contar histórias, reservar tempo de qualidade e discutir desejos e limites, ajudam a retirar o peso do presente e fortalecer o vínculo afetivo.
Imagem: Clariana Barcelos
Ao escolher um brinquedo neste 12 de outubro, a recomendação é simples: pergunte qual memória você quer construir, em vez de focar apenas no que vai comprar. O gesto continua, mas vem acompanhado de escuta e presença, elementos que nenhum carrinho de compras substitui.
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