Casados e viciados em #DivorceTok: por que não conseguimos parar de assistir?

É noite, o celular está em mãos e bastam alguns toques na tela para surgir aquele vídeo dramático sobre alguém se divorciando. Basta assistir um para o algoritmo entender o recado: de repente, o feed fica lotado de relatos com a hashtag #DivorceTok. O mais curioso? Nem todo mundo que maratona esse conteúdo está passando por separação. Muitas pessoas, plenamente satisfeitas no casamento, admitem não conseguir rolar a tela sem ver até o fim cada história de rompimento.

O fenômeno não é isolado. Amigos, parentes e colegas relatam a mesma “queda” por narrativas de separação alheia. Para entender os motivos que tornam esses vídeos tão hipnóticos, especialistas em saúde mental, relacionamento e comportamento digital foram ouvidos e explicam a mistura de curiosidade, empatia e até alívio que mantém o público grudado na tela.

O apelo irresistível dos relatos de divórcio

O terapeuta Greg Gomez, especializado em traumas, compara o DivorceTok à TV de realidade em doses curtas: conteúdos carregados de emoção que atiçam a vontade de saber “o que vai acontecer”. Além disso, a lógica do algoritmo trabalha a favor desse vício: assistiu a um vídeo? O sistema entrega vários outros parecidos.

Há ainda o componente da intimidade parasocial. Segundo o assistente social clínico Josh Sprung, quando alguém expõe mágoas, lágrimas e detalhes pessoais na câmera, cria-se um elo unilateral que estimula empatia e faz o espectador “mergulhar” na narrativa. Em tempos de conexões digitais escassas, sentir-se confidente de um desconhecido é poderosa isca.

A familiaridade com o tema também pesa. A advogada de família e terapeuta Kimberly Miller lembra que quase todo mundo conhece alguém que já passou por separação, o que torna o conteúdo automaticamente relevante. Já a especialista em intimidade Viviana Coles destaca o ponto neural: histórias envolvendo perda e ameaça ativam áreas cerebrais de detecção de risco, oferecendo a mesma segurança de quem assiste a um filme de suspense — emoção sem consequência direta.

Entre a preparação e o perigo: o impacto no espectador

Quando é saudável — e quando acende alerta

Aprender com o erro dos outros é um dos ganhos apontados pela consultora de relacionamentos Angie Reyes. Ao observar estratégias (ou falhas) alheias, o casal pode refletir sobre comunicação, empatia e cuidado dentro da própria relação. Funciona como um “ensaio mental” para lidar com eventuais crises.

No entanto, o consumo excessivo pode distorcer percepções. A terapeuta matrimonial Nari Jeter alerta para o uso indiscriminado de termos técnicos — “narcisismo” é o exemplo do momento — que aparecem nos vídeos. Rotular o parceiro a partir de frases de 30 segundos pode gerar ansiedade e conclusões precipitadas. Se o conteúdo desperta dúvidas constantes sobre o relacionamento, especialistas sugerem buscar terapia em vez de respostas no feed.

Em última análise, #DivorceTok oferece uma montanha-russa emocional: mistura voyeurismo, comparação social e até certo schadenfreude — satisfação por ver a dificuldade alheia e concluir que “meu casamento não está tão mal assim”. A maratona, por bem ou por mal, reflete mais sobre nossas próprias inseguranças do que sobre a vida dos influenciadores que expõem o fim da união.

Ficou curioso para entender outras tendências que dominam as redes? Continue acompanhando nossos conteúdos e descubra por que certas narrativas viram vício na palma da mão.

Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

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