Quem já sentiu os verões cada vez mais sufocantes mal imagina o impacto silencioso dessa alta de temperatura sobre a vida dos pequenos. Um estudo recém-divulgado pôs números concretos nesse risco: se o planeta continuar esquentando no ritmo atual, o Brasil pode ver quase o dobro de mortes entre crianças menores de cinco anos nas próximas décadas.
O alerta veio da London School of Hygiene & Tropical Medicine em parceria com o CIDACS-FIOCRUZ-Bahia. Os pesquisadores analisaram dados de 131 cidades brasileiras e traçaram cenários de 2040 a 2059. Os resultados são duros — mas servem de sinal vermelho para ações imediatas.
Mortes infantis sobem em qualquer cenário de aquecimento
O trabalho comparou dois futuros possíveis. No primeiro, de emissões intermediárias de CO₂, o aquecimento global se estabiliza entre 2,5 °C e 3 °C até 2050. No segundo, de emissões elevadas, o termômetro pode subir de 4 °C a 5 °C até o fim do século.
Em ambos os casos, a mortalidade infantil relacionada ao calor cresce em relação ao período 2010-2029. Entre 2049 e 2059, mais de 130 municípios podem registrar aumento de óbitos de menores de cinco anos. No cenário de emissões altas, a taxa salta de 1,07 para 2,00 mortes a cada 100 mil habitantes — incremento de 87%. Mesmo com redução parcial das emissões, o aumento ainda pode chegar a 50%.
Nordeste e Norte lideram vulnerabilidade
O mapa do estudo destaca duas regiões críticas. Norte e Nordeste concentram os maiores riscos, seja pela frequência de ondas de calor, seja pela menor infraestrutura de saúde para lidar com emergências climáticas.
Imagem: Internet
Recomendações dos pesquisadores
Para tentar frear o avanço dessas estatísticas, o relatório sugere ações imediatas: ampliar a conscientização sobre hidratação e proteção em dias extremos, adaptar postos de saúde com ventilação natural, telhados brancos e áreas sombreadas, treinar profissionais para lidar com complicações ligadas ao calor e investir em tecnologia simples — de testes rápidos a suplementos nutricionais.
O estudo completo está disponível em revistacrescer.globo.com.
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