Guilherme Cardoso e Silva, 35 anos, viveu um turbilhão nos últimos meses. O artista goiano foi levado pela Imigração dos Estados Unidos (ICE) em 11 de julho, justamente quando buscava a filha mais velha, Zahara, de 4 anos, em Sausalito, na Califórnia. Dois meses depois, em 12 de setembro, ele deixou o centro de detenção no estado de Washington sob fiança pessoal – e conseguiu voltar para casa a tempo de acompanhar o nascimento da segunda filha.
A esposa, a maquiadora norte-americana Rachel Leidig, 35, passou o período final da gravidez lutando pela libertação do marido. A vitória chegou em dose dupla: a soltura de Guilherme e a chegada de Isidore Seay Leidig-Lemes, que nasceu em 10 de outubro, às 20h02, pesando 3,58 kg e medindo 48 cm.
Libertação após 63 dias de detenção
Segundo Rachel, a ordem de soltura foi emitida por um juiz de Washington, que considerou as acusações contra Guilherme infundadas. O brasileiro havia sido transferido para Tacoma após passar 38 horas em condições precárias na cidade de Ferndale, ainda com correntes nos pulsos e tornozelos. Mesmo depois de a fiança ter sido paga em 29 de julho, ele continuou preso até setembro.
Nas redes sociais, Rachel publicou fotos do reencontro, a certidão de arquivamento do caso e a primeira imagem de Isidore nos braços dos pais. “Veio ao mundo com ambos os pais ao seu lado, cercada de família, amor e gratidão”, escreveu.
Processo de imigração segue aberto
O casal explica que, apesar da libertação, o processo migratório não terminou. Eles entraram com a petição do green card no dia seguinte à prisão de Guilherme, incluindo o formulário I-130 (parente estrangeiro) e o I-485 (ajuste de status). Até a audiência de 6 de outubro, advogados recomendaram discrição nas redes por temerem novas investidas.
Relembre a abordagem que levou à prisão
Na tarde de 11 de julho, seis ou sete carros descaracterizados cercaram o veículo de Guilherme quando ele buscava Zahara. Uma agente abriu a porta e ordenou que ele saísse, alegando haver um mandado de prisão. Sem mostrar o documento, os agentes tomaram o celular do brasileiro, que gravava a abordagem, e o algemaram. De acordo com Rachel, todos usavam máscaras e faziam piadas durante a ação.
Imagem: Internet
A justificativa oficial para a detenção foi a suposta irregularidade migratória: o brasileiro tinha um visto de turismo B-2 expirado desde 2017. Rachel afirma, porém, que ele estava patrocinado pela ex-esposa e que, após o divórcio, obteve visto de trabalho válido até que ela mesma se tornou a nova patrocinadora.
Acusações de abuso contra a filha chegaram a ser mencionadas, mas foram retiradas por falta de provas. “O sistema de imigração está quebrado”, criticou Rachel, reforçando a ausência de antecedentes criminais do marido.
Agora, com a família reunida, o casal concentra esforços para regularizar a situação de Guilherme e seguir a rotina em Sausalito.
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