Bebês enfrentam 4,5 vezes mais dias de ondas de calor entre 2015 e 2024, revela levantamento

Os termômetros não dão trégua e quem mais sofre são os que ainda mal engatinham. Entre 2015 e 2024, bebês com menos de um ano encararam 4,5 vezes mais dias de ondas de calor do que na faixa de 1981-2000. O dado, divulgado no Relatório 2025 do The Lancet Countdown América Latina, acende o alerta justo às vésperas da COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA).

Assinado por 25 instituições acadêmicas e agências das Nações Unidas, o documento avalia 41 indicadores climáticos e de saúde em 17 países da região. O retrato é claro: a temperatura média sobe sem parar, eventos extremos se multiplicam e a capacidade de adaptação ainda patina.

Além do desconforto imediato — como cansaço, febre e dor de cabeça —, as altas temperaturas ameaçam o desenvolvimento infantil e pressionam sistemas de saúde que já operam no limite.

Mais calor já na primeira infância

A exposição média anual ao calor na América Latina subiu de 23,3 °C (2001-2010) para 23,8 °C (2015-2024), atingindo recorde de 24,3 °C em 2024. O aquecimento mais forte foi registrado na Bolívia (+2 °C), seguida de Venezuela (+1,7 °C), México (+1,6 °C), Paraguai (+1,5 °C), Equador (+1,4 °C), Guatemala (+1,3 °C) e Brasil (+1,2 °C).

Com o termômetro em alta, o risco de estresse térmico disparou. Na comparação com 1991-2000, cada pessoa passou, em média, 298 horas a mais sob calor moderado ao caminhar e 289 horas extras ao correr.

Mortes ligadas ao calor disparam

O impacto já se reflete nos óbitos: entre 2012 e 2021, a mortalidade relacionada ao calor saltou para 2,2 mortes por 100 mil habitantes ao ano — cerca de 13 mil vidas perdidas anualmente —, crescimento de 103% frente à década de 1990.

Secas, perdas econômicas e desafio de adaptação

As secas avançam rápido. A área latino-americana sob seca meteorológica (um mês ou mais) pulou de 15,8% nos anos 1980 para 59,1% em 2015-2024. Já a seca agrícola (três meses ou mais) passou de 6,3% para 40,7%, enquanto a seca hidrológica (seis meses ou mais) cresceu de 2,1% para 20,8%.

Eventos extremos provocaram perdas diretas de US$ 19,2 bilhões em 2024 (aprox. R$ 102 bilhões). O Brasil concentrou dois terços do prejuízo total. Na proporção do PIB, Brasil e Chile lideram (0,63% cada), seguidos por México (0,14%), Panamá (0,13%), Equador (0,08%) e Peru (0,07%).

Apesar da urgência, só 41,2% dos países declararam ter finalizado uma Avaliação de Vulnerabilidade e Adaptação desde 2020, e apenas nove contam com um Plano Nacional de Adaptação em Saúde. Onde existem sistemas de alerta precoce baseados em dados climáticos, a mortalidade por inundações e tempestades caiu 92,5%, prova de que a adaptação não é opção, mas necessidade.

Quer acompanhar mais notícias sobre clima e saúde? Siga nossos conteúdos e fique por dentro das atualizações.

Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR

SIGA-NOS

0FansLike
0FollowersFollow
0SubscribersSubscribe
spot_img

POSTS RECENTES