Durante quase sete meses, o quarto de hospital virou o universo do jovem Samuel, de 15 anos. Entre aparelhos, fisioterapia diária e a torcida incansável da família, ele aguardava um novo coração — e acabou vivendo uma história rara: recebeu quatro ofertas de órgão em apenas três dias.
A saga começou com uma aposta bem-humorada. Madrasta, enfermeiros e médicos resolveram escrever num latinha o dia em que o transplante aconteceria. Quando todos revelaram a mesma data, 26 de agosto, Samuel ficou sem entender; segundos depois, descobriu que “o” coração já o esperava no centro cirúrgico. A notícia colocou fim a 198 dias de internação repletos de sustos, entre eles parada cardíaca, fungo resistente e infecção por citomegalovírus.
Diagnóstico e corrida contra o tempo
Guiado pela madrasta Carla Lemos de Velis, 45 anos, o adolescente de Esteio (RS) vinha lutando contra uma cardiomiopatia dilatada adquirida, detectada aos 12 anos. A doença apareceu depois de uma viagem de férias, com sintomas que confundiram médicos: tosse, febre alta e cansaço extremo. Em maio deste ano, o quadro evoluiu para insuficiência cardíaca grave, e Samuel foi transferido para o Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
Ali, passou a depender de um ventrículo artificial Berlin Heart enquanto aguardava na lista de transplante com prioridade máxima. Nem tudo correu liso: uma infecção fúngica obrigou a equipe a retirá-lo temporariamente da fila. Foram 60 dias de tratamento até que ele pudesse regressar à lista em 19 de agosto.
Quatro corações, uma escolha
Quando o nome de Samuel voltou a girar no sistema de transplantes, as ofertas surgiram em sequência: quatro corações em apenas três dias. Os três primeiros não atendiam aos critérios médicos, mas o quarto, de tamanho adulto, era perfeito. A cirurgia começou em 27 de agosto e durou 15 horas, seguida de suporte em ECMO até o novo órgão se adaptar.
Imagem: Internet
Alta, gratidão e futuro
Após superar a infecção por citomegalovírus e recuperar a força com fisioterapia, Samuel recebeu alta. Entre abraços, Carla agradeceu ao Sistema Único de Saúde e à família doadora: “É um ato gigante de amor ao próximo. Salvou a vida do Samuel”. Agora, o adolescente volta aos poucos à rotina que deixou para trás, sonhando com o dia em que poderá praticar esportes novamente.
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