
Estudo da USP associou o consumo de ultraprocessados do pai a maior peso do bebê ao nascer, em análise de 43 famílias atendidas na rede pública de saúde de Ribeirão Preto (SP). O resultado, publicado na revista científica Nutrition Research, vale como associação: as pesquisadoras informam que ainda não é possível apontar causa e efeito.
Peso e gordura corporal maiores ao nascer
A pesquisa foi feita na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e reuniu 43 grupos formados por pai, mãe e recém-nascido. Quanto maior o consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais, maior foi o peso ao nascer e maior o acúmulo de gordura na coxa e na região suprailíaca dos bebês, conforme a divulgação do estudo.
Os ultraprocessados representaram, em média, 30% da energia consumida pelos pais e 26% da consumida pelas mães, conforme o Jornal da USP. Segundo a Agência FAPESP, o trabalho, coordenado pela professora Daniela Sartorelli, é o primeiro a demonstrar em humanos a associação entre a ingestão paterna desses alimentos e a composição corporal do recém-nascido. A pesquisadora Mariana Rinaldi Carvalho, coautora do estudo, descreveu o resultado ao Jornal da USP.
“No nosso estudo encontramos uma associação positiva entre o consumo desses alimentos e o peso ao nascer, o índice ponderal e algumas medidas de adiposidade dos recém-nascidos”
Associação ainda não indica causa e efeito
A identificação feita pela pesquisa não permite dizer que o consumo paterno causou as alterações observadas, segundo Mariana Rinaldi Carvalho. A pesquisadora explicou ao Jornal da USP que são necessários estudos maiores, com avaliação da alimentação dos homens antes da concepção e acompanhamento ao longo do tempo, para verificar se existe relação de causalidade com as medidas do recém-nascido.
Uma das hipóteses das autoras envolve mecanismos epigenéticos, que mudam a forma como os genes são regulados sem alterar a sequência do DNA. O período de formação e maturação dos espermatozoides, de pelo menos três meses antes da concepção, é citado pela pesquisadora como a fase em que a alimentação do homem pode se refletir nessas células. O estudo não avaliou esses mecanismos diretamente.
Dieta da mãe mostrou relação inversa
Na alimentação materna, a associação com os indicadores de crescimento ao nascer foi inversa, conforme o Jornal da USP. A divulgação da FAPESP informa que o consumo de ultraprocessados pelas mães até a 16ª semana de gestação esteve ligado a menor peso, menor comprimento e menor perímetro cefálico do bebê. O mesmo texto descreve a amostra, de 43 famílias, como pequena.
Para acompanhar: o artigo científico está publicado na revista Nutrition Research, e as autoras informam que estudos maiores são necessários para confirmar a relação observada. Acompanhe também as notícias de gravidez.
Perguntas Frequentes
O que o estudo da USP encontrou sobre ultraprocessados e peso do bebê?
O estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP encontrou associação entre o maior consumo de ultraprocessados pelos pais e maior peso do bebê ao nascer. A análise, com 43 famílias da rede pública de saúde de Ribeirão Preto, também observou mais gordura na coxa e na região suprailíaca dos recém-nascidos.
Quanto da alimentação dos pais e das mães vinha de ultraprocessados no estudo da USP?
Os ultraprocessados representaram, em média, 30% da energia consumida pelos pais e 26% da consumida pelas mães que participaram da pesquisa da USP. Entre os homens, as principais fontes foram salsicha, bacon, bebidas açucaradas e bolachas; entre as mulheres, hambúrguer, refeições prontas, salgadinhos industrializados e batata frita industrializada.
Por que o resultado do estudo da USP ainda não comprova causa e efeito?
A pesquisa da USP identificou uma associação, e não uma relação de causa, entre a alimentação do pai e as medidas do recém-nascido. A pesquisadora Mariana Rinaldi Carvalho, coautora do estudo, explicou que faltam estudos maiores, que avaliem a alimentação dos homens antes da concepção e acompanhem as famílias ao longo do tempo.