Uma escultura fora do comum parou Berlim nos últimos dias. À porta do Parlamento alemão surgiu uma versão da clássica Dama da Justiça, mas com seis braços e barriga de grávida. Nada de espada ou balança: nas mãos, ela segura um bebê, mamadeiras, brinquedos, um laptop e até uma agenda lotada. A cena chamou atenção de quem passava e virou manchete pelo mundo.
A obra, criada pela artista Stefanie Gornicki, não foi erguida apenas como peça artística. Ela é o centro de um protesto que escancara o malabarismo diário das mães que trabalham por conta própria. O recado é simples: para dar conta de casa, filhos e trabalho, uma mulher precisaria mesmo de vários braços extras.
Estátua chama atenção no coração político de Berlim
Instalada durante uma semana de manifestações promovida pela Aliança Licença-Maternidade para Autônomas (Mutterschutz für Alle), a peça foi posicionada estrategicamente em frente ao Reichstag. Ao transformar a figura da Justiça em mãe multitarefas, o coletivo quis evidenciar a contradição entre a Constituição alemã — que garante assistência a todas as mães — e a realidade das profissionais autônomas, ainda sem cobertura específica.
Lacuna na lei motiva protestos
Na prática, trabalhadoras independentes na Alemanha não contam com a proteção financeira e de saúde concedida a quem tem carteira assinada. De acordo com Johanna Röh, uma das organizadoras do movimento, essa incerteza faz muitas mulheres desistirem de empreender ou interromperem carreiras. O grupo argumenta que, além do impacto pessoal, a falta de segurança afeta a economia ao afastar talentos femininos do mercado.
Imagem: Internet
Repercussão no Brasil
A imagem viralizou nas redes sociais brasileiras após ser compartilhada pela influenciadora Ariane Ferrari. “Ser mãe não é um emprego, é uma existência inteira”, escreveu ela. Nos comentários, seguidoras contaram experiências semelhantes, ressaltando a ausência de suporte e o malabarismo cotidiano. Uma usuária sintetizou o sentimento: “Ser mãe é ser mil mãos ao mesmo tempo. E quase nenhuma aparece pra segurar a gente”.
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