Telas substituem o colo quando pais vivem no automático, alerta educador

O relógio corre, as cobranças se acumulam e, no meio do turbilhão, adultos tentam dar conta de tudo: produtividade no trabalho, corpo em forma, alimentação regrada, vida familiar digna de feed. Entre metas e filtros, sobra pouco fôlego para algo fundamental — presença verdadeira. Enquanto isso, crianças observam, sentem a ausência emocional e buscam refúgio onde há atenção imediata: nas telas.

Marcelo Cunha Bueno, educador com longa trajetória dedicada à infância, resume o risco dessa dinâmica: “Quando não estamos inteiros, a criança percebe e as telas ocupam rapidamente o lugar do colo”. A frase, que ecoa o cotidiano de muitas famílias, escancara o impacto da pressa adulta sobre o equilíbrio emocional dos pequenos.

A ansiedade que nasce em casa

Na visão de Bueno, a cultura da performance invadiu o lar. Pais e mães, assustados com a possibilidade de falhar, recorrem a fórmulas prontas e se afastam do encontro genuíno com os filhos. Falta espaço para imperfeições, dúvidas e até o silêncio compartilhado — e esse vácuo favorece a ansiedade infantil, que se instala de maneira silenciosa.

Vídeos curtos, influenciadores e algoritmos oferecem sedutora companhia 24 horas por dia. Em poucos cliques, valores são distorcidos, a complexidade do mundo vira slogan e a felicidade parece inalcançável. Sob essa pressão, muitos meninos e meninas passam a “performar” antes mesmo de entender quem são, carregando expectativas que nem os adultos suportam.

Quando o colo cede espaço às telas

Pequenos colapsos surgem em tarefas simples, como um trabalho escolar ou um desentendimento com amigos. São sinais de uma fragilidade construída pelo excesso de cobrança e pela carência de presença. “Falta coragem para dizer: ‘Eu também não sei tudo, mas estou aqui com você’”, aponta o educador.

Ao notar a distância emocional, a criança procura acolhimento onde encontra resposta rápida. Assim, smartphones e tablets assumem o papel de companhia, substituindo o vínculo que deveria vir do abraço, do olhar atento e da conversa sem pressa.

Escola como rede de apoio coletiva

Nesse cenário, o papel da escola ganha urgência. Para Bueno, a sala de aula deve ir além do conteúdo acadêmico e devolver sentido à convivência: ensinar que identidade se constrói no respeito mútuo, no erro compartilhado e no cuidado com o grupo. “Educar é um ato coletivo”, reforça o diretor da Escola Estilo de Aprender, pai de Enrique, 12 anos, e autor dos livros “Sopa de pai” e “No chão da escola: por uma infância que voa”.

A infância, afirma o especialista, precisa de menos performance e mais verdade. Olhos que veem, ouvidos que escutam e braços que abraçam — essa é a herança que vale deixar, em vez do peso da perfeição inalcançável.

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Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

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