Quem carrega um bebê agora tem mais uma arma contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) passou a recomendar que todas as gestantes, inclusive menores de 18 anos, recebam a vacina Abrysvo, recém-incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A medida mira a proteção dos recém-nascidos, principalmente prematuros, já que o imunizante mostrou alta eficácia na redução de casos graves e hospitalizações em lactentes. Com mais de 300 mil nascimentos de mães adolescentes registrados em 2023, a entidade destaca que a imunização desse grupo é estratégica para diminuir complicações respiratórias nos primeiros meses de vida.
O que mudou no calendário do pré-natal
De acordo com o comunicado divulgado na segunda-feira (3), a vacina contra VSR deve ser aplicada a partir de 28 semanas de gestação, sem limite superior de idade gestacional. A Febrasgo sustenta que, mesmo sem grande contingente de adolescentes no estudo clínico pivotado (MATISSE), o perfil de segurança da plataforma vacinal e o contexto de vulnerabilidade social justificam a recomendação de uso universal.
O imunizante poderá ser administrado durante todo o ano, independentemente da sazonalidade do vírus, e poderá ser coadministrado com as demais vacinas recomendadas no pré-natal. A cada nova gravidez, recomenda-se nova dose.
Regras práticas para a aplicação
A federação elencou pontos essenciais para profissionais de saúde:
Imagem: Internet
- Vacina: Abrysvo (Pfizer)
- Dose: única, via intramuscular
- Janela recomendada: a partir de 28 semanas; aplicações entre 24-27 semanas ou após 36 semanas ficam a critério médico
- Intervalo mínimo parto-vacina: 14 dias, para transferência adequada de anticorpos ao bebê
- Coadministração: permitida com outras vacinas do pré-natal
- Repetição: em cada gestação
Por que a ênfase nas gestantes adolescentes?
No Brasil, a taxa de prematuridade entre mães de 10 a 19 anos ronda 12%, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste. Prematuros são mais suscetíveis a infecções respiratórias graves, tornando a prevenção do VSR ainda mais crucial. Para a Febrasgo, a vacinação universal ajuda a equilibrar as desigualdades e oferece um escudo importante para bebês que chegam antes do tempo.
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