Pelos corredores das escolas, nos postos de saúde ou nos parques, a cena se repete: mulheres equilibram trabalho, casa e criação dos filhos sem a presença de um parceiro. Agora, o Censo Demográfico 2022 confirma em números o que o cotidiano já indicava. Segundo os dados preliminares de “Nupcialidade e Família”, divulgados pelo IBGE, o país conta com 7,8 milhões de mães solo.
Do outro lado, o total de pais solo chega a 1,2 milhão. Na prática, para cada homem responsável sozinho pelos filhos, existem seis mulheres na mesma condição. A disparidade, que já era grande no começo dos anos 2000, agora se alarga ainda mais.
Retrato das famílias chefiadas por um só responsável
De acordo com o Censo 2022, 13,5 % das famílias brasileiras são lideradas por mulheres sem cônjuge, enquanto apenas 2 % têm homens nessa função. Em 2000, esses percentuais eram de 11,6 % e 1,5 %, respectivamente. Ou seja, em duas décadas, o grupo de mães solo cresceu em ritmo constante, enquanto o de pais solo praticamente estacionou.
A diferença numérica, que em 2000 estava na casa dos 10 pontos percentuais, passou a ultrapassar 11 pontos em 2022. Mesmo com pequenas oscilações, a tendência se manteve: mais lares chefiados por mulheres, menos por homens.
Mulheres assumem liderança de quase metade dos lares
O levantamento também aponta uma mudança mais ampla na estrutura familiar: entre 2000 e 2022, a participação feminina na chefia de domicílios saltou de 22,2 % para 48,8 %. No mesmo intervalo, a presença masculina recuou de 77,8 % para 51,2 %. Em outras palavras, os lares brasileiros quase se dividem meio a meio entre responsáveis homens e mulheres.
Imagem: Internet
Quando a mãe solo também abriga outros parentes — além dos filhos —, a participação chega a 3,8 % dos domicílios, ligeiramente acima dos 3,7 % registrados em 2000. Para os pais solo nessa mesma configuração, o índice é bem menor: 0,6 % em 2022, contra 0,4 % no início do século.
Diferença que persiste no tempo
Mesmo com transformações sociais e avanços na participação feminina no mercado de trabalho, a disparidade entre mães e pais solo resiste. Os números atuais do IBGE colocam em perspectiva o desafio de milhões de mulheres que assumem sozinhas a jornada de criar filhos, sustentar a casa e, muitas vezes, cuidar de outros familiares.
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