Todo pai ou mãe já se pegou checando a respiração do bebê no berço. Quando o recém-nascido chegou antes da hora, essa conferência vira quase um ritual, e não é à toa. A interrupção da respiração por mais de 20 segundos – ou por menos tempo, mas acompanhada de batimentos cardíacos mais lentos e pele arroxeada – descreve a chamada apneia da prematuridade, condição que exige atenção imediata.
Segundo o pediatra e neonatologista Mauricio Magalhães, chefe do Serviço de Neonatologia da Santa Casa de São Paulo, quanto menor a idade gestacional, maior a probabilidade de ocorrer esse quadro. Prematuros extremos, nascidos com menos de 28 semanas, chegam a exibir mais de 90% de chance de apresentar apneia. Por isso, identificação rápida e tratamento correto são cruciais para evitar complicações neurológicas e respiratórias.
Quem corre mais risco e por qual motivo?
A incidência cai conforme as semanas de gestação avançam: 75% entre 28 e 29 semanas; 14% entre 32 e 33 semanas; e 7% entre 34 e 35 semanas. Além da imaturidade pulmonar, fatores como anemia, infecções, convulsões, refluxo gastroesofágico, hemorragia cerebral e exposição a drogas elevam a probabilidade de o recém-nascido parar de respirar.
As crises tendem a diminuir à medida que o bebê se aproxima da 34ª a 36ª semana de idade corrigida. Mesmo assim, enquanto elas persistem, o monitoramento hospitalar é obrigatório. Só depois de um período sem episódios o prematuro costuma ser liberado para ir para casa, muitas vezes com orientações sobre monitores cardíacos e suporte de equipes especializadas.
Como o hospital age durante uma crise
Durante o internamento, cada cessação de respiração é combatida primeiramente com estímulos táteis: toques suaves nas costas e tapinhas nos pés costumam reativar a ventilação espontânea. Em paralelo, os neonatologistas administram citrato de cafeína, medicamento que mostrou reduzir a necessidade de oxigenoterapia, diminuir a incidência de displasia broncopulmonar e favorecer o neurodesenvolvimento.
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Segurança na dose e, se preciso, suporte ventilatório
Para os profissionais, garantir a qualidade do fármaco – industrializado ou manipulado – é passo essencial, já que qualquer variação pode afetar diretamente o organismo frágil do prematuro. Quando cafeína, estímulos e monitoramento não bastam, entra em cena o suporte ventilatório com CPAP nasal ou, em último caso, a intubação traqueal.
Caso a apneia seja rapidamente reconhecida e o bebê receba assistência adequada, não ficam sequelas. Já episódios repetidos, com queda prolongada da oxigenação sanguínea, podem acarretar danos neurológicos, reforçando a importância de pais e equipes de saúde estarem sempre alertas.
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