Uma disputa caseira de popularidade nas redes sociais acendeu o alerta na empresária Anny Meisler, mãe de três. Durante uma conversa trivial, os filhos quiseram saber quem somava mais seguidores: influenciadores como Jessi, a criadora de conteúdo Malu Borges, o craque Lionel Messi ou o canal Manual do Mundo. Quando descobriram que a mãe ficava para trás nessa lista, a conclusão deles foi direta: “Então você não é tão famosa assim, né?”.
A cena, descrita por Anny em coluna recente, ilustra como a fama online já faz parte do imaginário infantil. Para essa geração, ter milhões de seguidores parece equivalente a ter milhões de amigos — percepção que, segundo especialistas, pode confundir conexões reais e virtuais. Pesquisas reforçam o alerta: o Brasil concentra crianças cada vez mais conectadas e, ao mesmo tempo, mais solitárias.
Fama digital virou objetivo de carreira para a nova geração
Estudos apontam que a resposta “astronauta” ou “jogador de futebol” perdeu espaço no tradicional “o que você quer ser quando crescer?”. Levantamento da plataforma INFLR mostrou que, em 2022, 75% dos jovens brasileiros declararam sonhar com a carreira de influenciador digital. Para eles, ganhar a vida filmando vídeos no celular parece tão natural quanto ver os pais partindo para o escritório.
A tendência não é exclusiva do Brasil. Dados coletados pela Unicef indicam que, no pós-pandemia, o sentimento de solidão entre adolescentes dobrou em vários países. A pesquisa “A Verdade sobre a Juventude”, da McCann Truth Central (2024), reforça o cenário: 63% dos jovens afirmam sentir-se sozinhos mesmo rodeados de pessoas.
Exposição excessiva e o impacto na saúde mental
O tempo de tela prolongado também preocupa. Segundo estudo da Gallup em parceria com a Meta (2024), adolescentes que passam mais de três horas diárias nas redes sociais têm o dobro de chance de apresentar sintomas de ansiedade e depressão. Para Anny Meisler, o risco aumenta quando curtidas se tornam a única fonte de validação.
A empresária cita o caso de Justin Bieber como exemplo extremo. O cantor canadense ficou mundialmente famoso aos 13 anos e, já adulto, revelou lutar contra vícios e sensação de fraude. “Ele tinha fama, dinheiro, milhões de fãs, mas não tinha paz nem infância”, compara.
Imagem: Anny Meisler
Cinco passos para equilibrar online e offline
Sem demonizar a internet — também ferramenta de trabalho de Anny —, a autora sugere práticas que priorizam o equilíbrio: incentivar perguntas em vez de proibições, promover tardes sem aparelhos eletrônicos, explicar a diferença entre seguidor e amigo, estabelecer limites claros de tempo de tela e manter o exemplo dentro de casa.
Ao final da conversa com os filhos, Anny simplificou a mensagem: números importam, mas relações próximas são insubstituíveis. O recado vale para qualquer família navegando entre cliques e abraços.
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