Um passeio de férias em alto-mar virou cena de filme de ação em menos de um minuto. Em 29 de junho, enquanto o Disney Dream retornava às pressas para Fort Lauderdale, uma menina de 5 anos despencou de costas por uma vigia aberta do quarto convés. O corpo da criança, pequeno demais para acionar o sofisticado sistema “homem ao mar” (MOB), desapareceu nas águas das Bahamas antes que qualquer alarme soasse.
O silêncio durou cerca de sessenta segundos — tempo suficiente para o pai saltar atrás da filha e, só então, disparar os sensores. O resgate rápido, celebrado pela tripulação, salvou ambos, mas abriu uma discussão sobre os limites dessa tecnologia de segurança em cruzeiros lotados de famílias.
Sensores de “homem ao mar” não reconheceram a criança
De acordo com relatório do detetive Christopher Favitta, do Gabinete do Xerife do Condado de Broward, o sistema MOB instalado no Disney Dream só identifica corpos a partir de 1,466 m. A menina, com altura inferior, caiu às 11h29, horário local, sem provocar qualquer alerta automático.
A sirene só tocou às 11h30, quando o pai mergulhou atrás dela. Um minuto depois, às 11h31, o anúncio emergencial ecoou pelos alto-falantes do navio.
Pai herói, resgate em minutos
No momento da queda, a família passeava no quarto convés e havia parado para tirar uma foto. Segundo o relatório policial, a mãe apontou a grade da vigia, a menina subiu, sentou-se, perdeu o equilíbrio e despencou. O pai agiu por instinto: pulou imediatamente.
Os botes de resgate foram lançados às 11h40 e, nove minutos depois, pai e filha voltavam a bordo. Ambos receberam cuidados no centro médico do navio: hipotermia leve para a criança, ferimentos leves para o pai, que depois foi encaminhado ao Broward Health Medical Center.
Imagem: Internet
Como a lei exige o alarme MOB
A Lei de Segurança e Proteção de Embarcações de Cruzeiro de 2010 obriga navios que operam nos Estados Unidos a instalar tecnologia capaz de detectar quedas ao mar. Em 2020, a Cruise Line International Association publicou parâmetros que fixam a altura mínima de detecção em 1,466 m — medida que, na prática, deixa crianças pequenas fora do radar. Não há confirmação se esse é exatamente o padrão adotado no Disney Dream.
Em 16 de setembro, a promotoria de Broward descartou processo criminal contra os pais, classificando a atitude como “negligente e irresponsável”, mas insuficiente para configurar crime.
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