Quem cresceu folheando as páginas cheias de cor da Turma da Mônica agora pode ver o homem por trás dessas histórias ganhar vida no cinema. “Mauricio de Sousa – O Filme” estreia nesta quinta-feira, 23, e promete levar o público a uma viagem que começa na infância do cartunista em Mogi das Cruzes e desemboca em São Paulo, onde nasceram personagens que atravessaram gerações.
A produção coloca em destaque não só a trajetória do maior contador de historinhas do país, mas também a relação íntima entre realidade e ficção que sempre alimentou seu trabalho. Da criação de Bidu, inspirado no cão Cuíca, às tirinhas de 1959 na Folha da Tarde, cada quadro do longa carrega lembranças e emoções guardadas pelo próprio Mauricio.
Para entender como esse universo saltou dos quadrinhos para a tela grande, a reportagem conversou com o diretor Pedro Vasconcelos e com Mauro Sousa, filho do cartunista e intérprete do pai na juventude. Eles contam como o próprio Mauricio orientou o processo, da escrita do roteiro à escolha do elenco.
Mauricio no set: memória viva do roteiro
Pedro Vasconcelos revela que recorreu ao artista em todas as etapas. “Busquei o Mauricio o tempo todo: construção do roteiro, caracterização, seleção de atores. Ele carrega dentro dele todo o universo da Turma, era peça fundamental”, contou. O diretor explica que quis dar ao filme a mesma leveza dos gibis, usando câmeras fixas que lembram quadrinhos estáticos para manter o clima divertido e familiar que o público conhece.
Segundo Vasconcelos, o criador da Turma da Mônica não economizou nos detalhes. As memórias de infância, os bastidores da redação e as primeiras ideias para personagens foram compartilhados pessoalmente ou por telefone. “Ele me ensinou a contar essa história”, resume o diretor.
Filho vira pai nas telas
Escolher Mauro Sousa para viver o próprio pai parecia óbvio, mas não aconteceu de imediato. A direção chegou a avaliar outros atores até que, como define Vasconcelos, “um passarinho soprou” seu nome. “O Mauro passou 35 anos fazendo laboratório para esse papel”, brinca o cineasta, referindo-se à convivência diária do filho com o cartunista.
Imagem: Internet
Da resistência ao sim definitivo
Mauro admite que hesitou por não ter experiência em cinema — sua vivência era no teatro. “Achei muita responsabilidade, não sabia se daria conta”, lembra. A dúvida acabou ao conversar com o pai. “Ele disse: ‘Claro que é você’. Não tinha questionamento.” Durante as filmagens, os dois falavam ao telefone todos os dias para garantir fidelidade a cada cena, personagem e detalhe de época.
Com mais de 400 criações no currículo, Mauricio de Sousa agora assume o papel de protagonista de sua própria história. Se os quadrinhos ensinaram gerações a ler, o filme promete mostrar ao público o homem que transformou traços simples em um império de afeto e imaginação.
Curioso para saber como Bidu, Mônica, Cebolinha e cia. ganharam forma? Acompanhe nossas próximas matérias e mergulhe ainda mais no universo desse ícone da cultura pop brasileira.