A porta do quarto se abre, a equipe médica anuncia a palavra “alta” e Bernardo, 14 anos, ergue os braços numa comemoração que já emocionou milhares de pessoas nas redes sociais. O estudante de Natal (RN) recebeu sinal verde para deixar o hospital nesta segunda-feira (21), marcando o fim de uma maratona de dois anos contra a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA).
Para a família, a cena significa mais do que sair do hospital: é a virada de página definitiva depois de diagnóstico, recaída e busca por um doador 100 % compatível. A medula que devolveu a esperança viajou de avião desde a Polônia, cruzou oceanos e chegou a tempo de mudar o curso da história do adolescente.
Da suspeita à confirmação
Até janeiro de 2023, Bernardo levava rotina de judô e futsal. As primeiras dores articulares levaram a várias idas ao pronto-socorro, até que exames confirmaram a LLA. No mesmo dia, ele começou quimioterapia. “Foi como se o chão sumisse”, lembra a mãe, Mona Lisa Barreto de Oliveira Souza, 39 anos.
Em março de 2025, depois de um período de remissão, veio a recaída. Desta vez, já familiarizado com o processo, o próprio Bernardo recebeu da médica a notícia de que precisaria de transplante de medula. Nem pais nem irmão ultrapassavam 50 % de compatibilidade, cenário complicado pelo painel de reatividade de 57 %, alto risco de rejeição.
Campanha viral e doador 100 % compatível
Com apoio do Redome, a família lançou campanha nas redes sociais. O vídeo alcançou mais de dois milhões de visualizações em poucos dias, mobilizando novos candidatos à doação no Brasil e no exterior.
Em 24 de julho, chegou a ligação esperada: um doador polonês apareceu com 100 % de compatibilidade e aceitou o procedimento. Até setembro, Bernardo enfrentou novo ciclo de quimio, radioterapia e imunoterapia para assegurar que a doença estivesse controlada antes do transplante.
Imagem: Internet
Transplante internacional e alta comemorada
A coleta da medula ocorreu na Polônia em 6 de outubro. A infusão em Bernardo foi realizada no dia seguinte, 7 de outubro. Doze dias depois, os exames confirmaram que a medula havia “pegado” e, em 21 de outubro, o adolescente recebeu alta.
Agora, a família planeja focar na recuperação total do garoto e ampliar a conscientização sobre diagnóstico precoce do câncer infantil, doação de medula e de sangue. “Estamos como quem sonha”, resume Mona Lisa, aliviada.
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