Ver uma mulher criando os filhos sem a presença do pai é cena corriqueira no país, mas, na teledramaturgia, esse recorte nem sempre ganha o destaque que merece. A partir de segunda-feira (20), a Globo lança Três Graças, novela que aposta justamente nesse tema para conduzir a história de três gerações de protagonistas abandonadas pelos parceiros.
Ambientada na comunidade fictícia da Chacrinha, na zona oeste de São Paulo, a produção promete mostrar as alegrias, dores e batalhas diárias das chamadas mães solo, papel vivido por Dira Paes, Sophie Charlotte e Alana Cabral. Além da trama familiar, a obra dialoga com dados recentes que escancaram o avanço desse arranjo familiar no Brasil.
Trama conecta três gerações de mulheres abandonadas
No folhetim, Lígia (Dira Paes) engravida na adolescência de Gerluce (Sophie Charlotte) e é deixada pelo namorado Joaquim (Marcos Palmeira), que chega a ignorar mãe, filha e neta quando cruza com elas na rua. Anos depois, Gerluce repete a história: se envolve com o ex-chefe de facção Jorginho Ninja (Juliano Cazarré), engravida e também cria a criança sozinha.
A terceira graça é Joélly (Alana Cabral). Aos 15 anos, ela engravida de Raul (Paulo Mendes), jovem de família rica que enfrenta dependência química e se recusa a assumir o bebê. O ciclo de abandono se fecha, evidenciando como a ausência paterna atravessa gerações mesmo em contextos diferentes.
Números mostram salto de mães solo no país
Levantamento da Fundação Getulio Vargas indica que, entre 2012 e 2022, o total de domicílios chefiados por mães solo saltou 17,8 %, passando de 9,6 milhões para 11,3 milhões – acréscimo de 1,7 milhão em dez anos.
Desigualdade racial e regional
No mesmo período, o grupo formado por mulheres negras à frente de famílias monoparentais aumentou de 5,4 milhões para 6,9 milhões, enquanto o contingente de mães brancas e amarelas manteve-se praticamente estável. Nordeste e Norte concentram as maiores proporções, ao passo que o Sul registra os menores percentuais.
Imagem: Internet
Os dados de 2022 revelam ainda que 54,3 % dessas mães concluíram, no máximo, o ensino fundamental, e menos de 14 % alcançaram o ensino superior. No mercado de trabalho, 29,4 % estão fora da força de trabalho, 7,2 % buscam emprego e 63,3 % têm alguma ocupação.
O Censo Demográfico 2022 do IBGE reforça o cenário: 10.321.771 residências são comandadas por mulheres que vivem apenas com os filhos, enquanto 1.614.739 são lideradas por homens na mesma condição – proporção que coloca as mães solo em número seis vezes maior.
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