A ligação entre vida e morte se estreitou para a empresária e influenciadora carioca Clara Maia, 32 anos, em 20 de setembro. Naquela madrugada, ela deu à luz os gêmeos idênticos Túlio e Theo com apenas 27 semanas de gestação, depois de uma cesárea de emergência. Minutos depois, segurou o corpo sem vida de Túlio nos braços, enquanto Theo era levado às pressas para a UTI neonatal. Desde então, Clara divide o tempo entre viver o luto e celebrar cada grama que o filho sobrevivente ganha.
O relato que emocionou milhares nas redes sociais traz detalhes da síndrome da transfusão feto-fetal – condição que sobrecarregou o coração de Túlio e deixou Theo desnutrido. Hoje, entre visitas ao hospital, a carioca ressignifica a dor do adeus investindo amor e leite: já doou três litros, parte para o próprio Theo, parte para outros prematuros.
“Depois que você segura um filho sem vida no colo, tudo muda: valorizar cada momento vira urgência”, contou ela em entrevista exclusiva publicada em 30 de setembro no portal CRESCER.
Gravidez surpresa e cesárea de emergência
Em abril, Clara e o marido, o empresário André Coelho, descobriram que seriam pais de gêmeos novamente – desta vez concebidos naturalmente, após enfrentarem infertilidade e realizarem fertilização in vitro (FIV) que resultou nos primeiros filhos, João e José, hoje com um ano. A segunda gestação caminhava sem intercorrências: consultas quinzenais, exercícios físicos e exames sempre dentro do esperado para gestações univitelinas.
O alerta surgiu a partir de 16 de setembro, quando Clara sentiu movimentos fetais incomuns. Quatro dias depois, exames apontaram excesso de líquido para um dos bebês e escassez para o outro – clássico sinal da síndrome de transfusão feto-fetal. A recomendação foi cesárea imediata. Túlio nasceu com 995 g, viveu 32 minutos e não resistiu à sobrecarga cardíaca; Theo chegou com 680 g, em estado crítico.
Luto, doação de leite e rede de apoio
No pós-parto, Clara permaneceu com Túlio no colo o tempo necessário para se despedir. A família decidiu pela cremação e planeja uma cerimônia quando Theo tiver alta. “Ou você ressignifica a dor ou mergulha num buraco”, afirmou. Para manter-se firme, ela conta com o marido, a mãe, amigos e a rotina de amamentar e doar leite na própria UTI.
Imagem: Internet
Como está o pequeno Theo
Internado há quase três semanas, Theo venceu etapas importantes: já saiu da intubação, passou pelo suporte respiratório não invasivo (CEPAP) e agora respira sozinho. A alimentação parenteral foi suspensa; ele recebe exclusivamente leite materno, ganha peso e responde bem aos cuidados neonatais. O casal aguarda o dia em que poderá levar o bebê para casa e reunir, enfim, os três filhos.
Clara segue compartilhando boletins e reflexões sobre maternidade, prematuridade extrema e luto em suas redes sociais, onde encontra apoio de outras famílias. Para quem vive drama semelhante, ela resume: “enxergar um dia de cada vez ajuda a não se afogar na saudade do que ainda nem aconteceu”.
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