Em muitos países, incluindo o Brasil, vem crescendo o número de hotéis e restaurantes que adotam a política “childfree”, proibindo a presença de menores de idade. A tendência, que ganha espaço nas redes sociais e em aplicativos de viagem, provoca debates acalorados entre pais, empresários e especialistas.
O pediatra espanhol Carlos Gonzalez, referência em criação com apego e autor de títulos como “Bésame Mucho” e “Meu Filho Não Come!”, decidiu entrar na conversa. Pai de três filhos e avô de cinco netos, ele afirma que prefere evitar qualquer estabelecimento que feche as portas para crianças, ainda que não planeje organizar protestos ou fazer escândalos.
Para o médico, a nova prática revela uma forma de discriminação difícil de compreender, já que todos os adultos foram crianças um dia. Gonzalez questiona: se durante séculos os pequenos sempre foram bem-vindos, por que agora parte da sociedade os considera “incômodos”?
Ambientes “childfree” se multiplicam
Restaurantes e hotéis que não aceitam crianças justificam a restrição com o argumento de oferecer tranquilidade aos demais clientes. Gonzalez reconhece que qualquer pessoa – criança ou adulta – pode ser convidada a se retirar quando atrapalha os outros, mas critica a exclusão antecipada de todos os menores, inclusive aqueles que ainda não incomodaram ninguém.
Ele compara essa prática a antigas barreiras impostas a mulheres e pessoas negras, superadas ao longo da história. Na visão do pediatra, recusar todas as crianças pelo simples fato de serem crianças repete o mesmo padrão de preconceito.
Limites e responsabilidades
O papel dos pais em espaços públicos
Gonzalez destaca que cabe aos responsáveis evitar que os filhos perturbem os demais. Para isso, sugere distrações, revezamento entre adultos durante a refeição ou até sair do local por alguns minutos quando o bebê chora sem parar. Na sua avaliação, fingir que nada acontece não é sinal de respeito; reconhecer o desconforto do bebê e dos clientes, sim.
Imagem: Carlos Gzález
O pediatra afirma que aceita o direito de quem não quer comer cercado de crianças, embora admita não entender essa escolha. Por outro lado, diz que também não gostaria de fazer refeições ao lado de pessoas que não gostam de crianças.
Carlos Gonzalez continua a defender que rejeitar previamente todos os menores de idade equivale a ignorar a própria infância. Para ele, repensar a presença das crianças em locais públicos é essencial para uma convivência mais equilibrada e justa.
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