Ter um bebê já foi considerado o próximo passo natural depois de conquistar um lar estável. Hoje, nos Estados Unidos, a ordem se inverteu: primeiro é preciso garantir o teto — tarefa que nunca esteve tão cara. Uma pesquisa recente da ReloShare escancara como essa conta difícil vem empurrando a decisão de ser pai ou mãe para depois.
Entre 19 e 21 de setembro, 2.001 eleitores foram ouvidos sobre o impacto da crise de acessibilidade à moradia em suas vidas. Resultado: dois em cada três entrevistados temem perder a própria casa e quase a mesma proporção adia a chegada de um filho para não colocar a família sob risco de despejo.
Medo de ficar sem teto molda decisões familiares
De acordo com o levantamento da ReloShare, 67% dos participantes declararam medo de perder a moradia por causa da escalada de preços, enquanto 64% postergam a paternidade justamente para evitar esse cenário. A insegurança financeira também se reflete em outros números: 58% vivem no limite do salário e 42% afirmaram que suportariam abuso físico ou mental para impedir que os filhos acabem sem teto.
O receio é reforçado por dados do Instituto Nacional de Saúde (NIH). Em 2022, 17% das crianças e 46% das famílias nos EUA enfrentaram algum tipo de instabilidade habitacional — seja pela necessidade de mudanças frequentes, custos abusivos ou ordens de despejo.
Alta dos imóveis supera salários e cria efeito dominó
Entre 2019 e 2024, o preço médio de casas unifamiliares saltou 48%, segundo o Harvard Joint Center for Housing Studies, mais que o dobro do avanço da renda média no mesmo período (22%). Nos aluguéis, a disparada veio na pandemia e ainda não recuou: em agosto, o valor pedido girava em torno de US$ 2.007, alta de 2,4% em um ano, aponta o Bankrate.
Mesmo com a recente desaceleração do mercado, comprar imóvel continua distante para milhões de famílias. Dados da Redfin mostram que o preço médio de venda chegou a US$ 439.198 em agosto, elevação de 1,5% em 12 meses. No mesmo intervalo, o Departamento de Estatísticas do Trabalho registrou queda de 0,1% nos ganhos médios reais por hora de julho para agosto.
Imagem: Internet
Quando o lar define destino de casais, pets e diplomas
A pressão dos custos de moradia respinga em várias escolhas. Levantamento da Redfin indica que 44,4% dos proprietários e inquilinos tiveram dificuldade para pagar aluguel ou hipoteca. Dentro desse grupo, 4% desistiram ou adiaram ter filhos, 4,4% cortaram economias para a faculdade e 3% colocaram as crianças em escolas de menor qualidade. Ainda houve quem se desfizesse de animais de estimação (4,6%), juntasse as escovas com um parceiro para dividir despesas (5,3%) ou adiasse o divórcio (2,8%).
O economista sênior do Realtor.com, Jake Krimmel, ressalta que possuir um imóvel costuma oferecer estabilidade, poupança forçada e espaço adicional — fatores que incentivam a chegada de filhos. Para inquilinos, entretanto, preços altos tornam a compra ainda mais distante e reduzem as chances de formar família.
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