Uma xícara fumegante pode ser o empurrão que muita mãe precisa para sair da cama depois de uma noite picotada. Mas a dúvida bate: o café passa para o leite materno? E, se sim, em que medida ele afeta o bebê?
Especialistas lembram que a cafeína realmente chega ao leite, mas isso não significa que a bebida esteja proibida durante a amamentação. O ponto-chave é a quantidade: entender quanto cabe na rotina sem provocar agitação extra no pequeno (e palpitação na mãe).
Com base em recomendações médicas, veja a seguir o que é considerado consumo seguro, como o organismo do bebê reage e que sinais merecem atenção.
Quanto de cafeína é considerado seguro durante a amamentação
Até 200 mg por dia – o equivalente a duas xícaras de café coado – é o limite aconselhado pela pediatra Talita Lodi Holtel, do Hospital e Maternidade Sepaco (SP). Dentro desse teto, o risco de efeitos indesejados cai bastante.
Para ajudar o corpo a metabolizar a substância antes da próxima mamada, a orientação é tomar o café logo após amamentar. Assim, parte do composto já terá sido eliminada quando o bebê voltar ao peito.
Os números variam conforme o preparo da bebida. Enquanto uma caneca de 200 ml de café filtrado entrega cerca de 120 mg de cafeína, um expresso concentra mais e pede cautela. Somam-se ainda chás pretos, verdes, chimarrão, refrigerantes, energéticos e chocolate: todos entram na conta diária.
Sinais de sensibilidade no bebê e alternativas sem cafeína
Nem todo recém-nascido reage da mesma forma, mas alguns comportamentos acendem o alerta de que a cafeína pode estar pesando:
Imagem: Internet
- Irritabilidade ou agitação fora do habitual
- Dificuldade para dormir ou tirar sonecas
- Refluxo mais intenso
- Desconforto abdominal e gases
Isso ocorre porque o metabolismo infantil, especialmente antes dos seis meses, leva muito mais tempo para eliminar a substância – até 80 horas, contra cerca de cinco em adultos. Prematuros demandam atenção redobrada, já que o fígado e os rins ainda imaturos prolongam ainda mais essa depuração.
Percebeu algum desses sinais? Vale reduzir a dose, espaçar o café das mamadas ou migrar para versões descafeinadas, que mantêm o sabor com traços mínimos de estimulante. Chás claros, como erva-doce, cidreira e hortelã, são opções que ajudam a relaxar sem impactar o bebê.
Outras fontes de cafeína que entram na conta
Além do cafezinho tradicional, entram no cálculo diário: chá preto, chá verde, mate, refrigerantes de cola, energéticos e o popular chimarrão. Se a ideia é guardar a cota para o café, corte ou diminua essas bebidas. Já o chocolate, segundo a nutricionista Gabrielly Botelho, contém doses tão pequenas que raramente fazem diferença.
Em excesso, a cafeína pode ainda atrapalhar a absorção de ferro, cálcio e vitamina D – nutrientes importantes no pós-parto – e provocar vasoconstrição no mamilo, dificultando a pega. Por isso, moderação é a palavra-chave para manter mãe e bebê em sintonia.
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