Dificuldade para dormir nos primeiros meses pode indicar TDAH, alerta psiquiatra

Todo mundo conhece o desafio que é colocar um bebê para pegar no sono. Ainda assim, quando o problema vira rotina e atravessa os primeiros meses de vida, pode existir algo além do “não quero dormir”. Um dos maiores especialistas em saúde mental infantil do país levanta um sinal amarelo: distúrbios de sono muito cedo podem ser o primeiro recado de que o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) está à vista.

A pista veio à tona durante o 17º Congresso Brasileiro de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que ocupou Porto Alegre (RS) de 17 a 20 de setembro. Lá, o psiquiatra Sérgio Nolasco, formado pela Unicamp (SP), contou que alterações de sono nos primeiros anos aparecem com frequência entre futuros diagnosticados com TDAH — e às vezes se manifestam antes mesmo de a criança balbuciar as primeiras palavras.

Embora a ciência ainda busque respostas completas para esse vínculo, pais e pediatras ganham um motivo extra para ficar de olho quando o bebê simplesmente não engata na soneca.

Alteração de sono: um sinal que costuma chegar antes do diagnóstico

De acordo com Nolasco, o cérebro de quem vive com TDAH apresenta um atraso no desenvolvimento cortical, o que dificulta “desligar a chave” na hora de descansar. Quem sofre com o transtorno costuma dizer que não consegue relaxar porque a mente não para de trabalhar.

Esse padrão aparece já bem cedo. Em casos observados pelo especialista, recém-nascidos que acordam diversas vezes à noite, têm cochilos curtos e parecem sempre agitados podem, no futuro, preencher os critérios de TDAH. O alerta não significa diagnóstico automático, mas reforça a importância de acompanhamento regular.

Dados suecos reforçam a ligação entre sono ruim e TDAH

Um estudo realizado na Suécia jogou luz sobre essa relação. Pesquisadores monitoraram 2.518 bebês de 6 a 18 meses; 83% das famílias responderam a questionários sobre o sono dos pequenos. Entre esses participantes, 27 crianças apresentaram problemas graves e crônicos de sono entre 6 e 12 meses, enquanto outras 27, sem dificuldades noturnas, formaram o grupo controle.

Cerca de 5,5 anos depois, sete das crianças do primeiro grupo receberam o diagnóstico de TDAH. No grupo sem distúrbio de sono, nenhuma se enquadrou no transtorno. Em números absolutos, a amostra é pequena, mas aponta que uma em cada quatro crianças com sono severamente comprometido pode desenvolver TDAH mais adiante.

Relógio biológico, tarde produtiva e debate sobre horário escolar

Nolasco explicou que a genética também entra em cena: há indícios de que genes ligados ao ritmo circadiano — o “relógio biológico” — se conectem ao TDAH. Por isso, muitas pessoas com o transtorno funcionam melhor no fim da tarde e têm dificuldade para ativar o cérebro logo cedo. Essa característica já levou alguns países a atrasar o início das aulas do ensino médio. No caso do TDAH, a tendência de ser mais “vespertino” costuma persistir além da adolescência.

O repórter esteve em Porto Alegre a convite da Apsen.

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Marianna Dantas
Marianna Dantashttps://cadapassoimporta.com.br/
Mãe, blogueira e uma eterna apaixonada pelo universo infantil. Criei o "Cada Passo Importa" como um cantinho seguro para compartilhar minhas descobertas e ajudar outras famílias a encontrarem produtos incríveis, testados com carinho e com o melhor preço. Meu objetivo é trazer mais segurança e tranquilidade para a sua jornada. Bem-vinda à nossa comunidade!

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