Lembra de quando a maior preocupação dos pais era se as crianças passavam tempo demais na frente das telas? Pois é, essa fase ficou para trás. Hoje, o alerta é outro: grupos extremistas se infiltram nos mesmos dispositivos que usamos para estudar, jogar e conversar, oferecendo pertencimento em troca de ódio.
Jeff Guenther, conselheiro clínico licenciado (LPC) e criador do diretório TherapyDen, vem chamando atenção nas redes como @therapyjeff. Em uma série de publicações, o profissional descreve cinco passos fundamentais para evitar que garotos — especialmente os brancos, mas não só eles — escorreguem por esses túneis de algoritmos que transformam frustração em violência.
Por que a radicalização começa dentro de casa
De acordo com Guenther, grupos extremistas não chegam propondo ódio logo de cara. Primeiro, validam emoções como solidão, rejeição ou medo. A partir daí, apresentam uma narrativa de “vítima” que coloca meninas, feminismo ou políticas de diversidade como inimigos. “É um processo de grooming emocional disfarçado de empatia”, alerta o terapeuta.
O problema se agrava porque muitos meninos ainda enfrentam o velho mandamento de “engole o choro”. Sem espaço para nomear e regular sentimentos, eles podem buscar refúgio em fóruns, podcasts e servidores de jogos onde discursos radicais são servidos em doses crescentes, guiados por algoritmos que recompensam o engajamento — não importa se negativo ou positivo.
Cinco passos para cortar o ciclo
O que Jeff Guenther recomenda aos pais
1. Leve a queixa a sério, sem superproteger. Se seu filho disser que se sente atacado por ser homem ou branco, não zombe nem minimize. Reconheça o desconforto, explique a diferença entre sentir-se incomodado e ser, de fato, oprimido, e ofereça uma visão mais ampla de justiça e pertencimento.
2. Ensine alfabetização emocional. Garotos que não conseguem dar nome às próprias emoções transformam rejeição em raiva com facilidade. Incentive frases como “estou me sentindo sozinho” em vez de “as meninas são o problema”.
3. Valide a vulnerabilidade. Mostrar sensibilidade, gentileza e respeito também é força. Se ele não tiver permissão para ser vulnerável em casa, pode buscar a violência como forma de provar masculinidade, diz o terapeuta.
Imagem: Canva/Motherly
4. Explique como funcionam algoritmos e propaganda. Não se trata apenas de “jogar um pouquinho”. Dentro de lobbies de games, servidores de Discord, vídeos recomendados do YouTube e feeds do TikTok, há discursos que dizem quem odiar. Ensine senso crítico midiático para que ele reconheça manipulação.
5. Substitua isolamento por pertencimento real. “Isolamento é combustível de foguete para a radicalização”, resume Guenther. Incentive atividades presenciais: banda de música, esportes, RPG de mesa, voluntariado ou qualquer grupo em que ele se sinta competente e conectado.
Guenther reforça: converse sobre esses temas antes que influenciadores da chamada “manosfera” façam isso por você. “Se você não moldar o mundo dele, o algoritmo vai — e você não vai gostar do resultado”, conclui.
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