A legalização da maconha avança nos Estados Unidos, dispensários surgem em quase todas as esquinas e o tema já faz parte de conversas cotidianas. No entanto, para quem está grávida ou amamentando, o recado agora é direto: nada de cannabis. A nova orientação vem do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), que reúne especialistas em obstetrícia e ginecologia em todo o país.
Segundo o grupo, o uso da planta — seja fumada, vaporizada, em comestíveis ou mesmo na forma medicinal — deve ser suspenso desde a confirmação da gestação até o fim do período de amamentação. A recomendação foi divulgada após a análise de vários estudos que relacionam a exposição ao THC com problemas neonatais e riscos maternos.
O que dizem as novas orientações
Riscos apontados pelos estudos
A entidade lista efeitos associados ao uso de cannabis na gestação: baixo peso ao nascer, bebês pequenos para a idade gestacional, maior índice de internação em UTI neonatal e aumento da mortalidade perinatal. Além disso, destacam que o THC pode prejudicar o julgamento, aumentando quedas, acidentes e outras lesões na gestante.
Para reduzir esses riscos, o ACOG pede que profissionais de saúde perguntem sobre consumo de THC em todas as consultas — antes, durante e depois da gravidez. A abordagem deve ser acolhedora e sem julgamento, abrindo espaço para orientar e sugerir alternativas seguras a sintomas comuns como náuseas e dores.
Por que o assunto voltou aos consultórios
A normalização do uso de maconha acompanha a liberação da substância em vários estados norte-americanos. Um estudo de 2019, que avaliou mais de 450 mil gestantes, revelou que o consumo dobrou entre 2002 e 2017. Médicos relatam ainda que muitos pacientes acreditam que, por ser “natural”, a cannabis não ofereceria perigos, o que amplia os equívocos.
Imagem: Internet
Embora as diretrizes sejam recomendações — e não imposições legais —, a expectativa é de que perguntas sobre THC tornem-se rotina nos pré-natais. Para quem quiser se aprofundar, a íntegra do comunicado pode ser conferida (em inglês) neste link.
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