Mulheres brasileiras ganharam um aliado de peso na prevenção ao câncer de colo de útero. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer o teste de DNA do HPV, exame que detecta o vírus com muito mais precisão do que o tradicional Papanicolau. A novidade reforça o combate a uma doença que ainda mata mais de 6 mil brasileiras por ano.
O avanço é comemorado por especialistas porque o HPV está por trás de 99% dos casos desse tipo de câncer. Com vacinação em dia e exames modernos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita ser possível eliminar o câncer de colo de útero como problema de saúde pública até 2030.
Como funciona o novo exame
O teste de DNA do HPV identifica o material genético do vírus em amostras coletadas do colo uterino. Ao apontar com exatidão se a mulher é portadora de algum dos subtipos de alto risco, o rastreamento fica mais sensível e permite intervenção precoce. A coleta é simples, semelhante ao Papanicolau, mas o resultado traz mais segurança: se o vírus não é encontrado, a próxima análise pode ser feita somente cinco anos depois.
Segundo a oncologista clínica Dra. Andréa Gadelha Guimarães, do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) e do A.C. Camargo Cancer Center, o novo exame “reduz falsos negativos e evita que lesões passem despercebidas”. A médica lembra que, embora mais moderno, o teste não dispensa acompanhamento regular.
Diferenças para o Papanicolau
O Papanicolau, adotado há décadas, analisa alterações nas células do colo do útero. Ele é eficaz, mas pode falhar quando a amostra não contém células lesionadas. Já o teste de DNA busca diretamente a presença do vírus, etapa anterior ao desenvolvimento de alterações celulares. Por isso, oferece maior sensibilidade e reduz a necessidade de coletas anuais.
Na prática, o Ministério da Saúde recomenda o novo exame para mulheres entre 25 e 64 anos. Caso o resultado aponte ausência de HPV, o intervalo de repetição pode chegar a cinco anos, enquanto o Papanicolau exige repetição a cada três anos após dois testes anuais negativos.
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Vacinação ainda é peça-chave
Embora o exame represente um salto na detecção, a prevenção começa com a vacina contra o HPV, disponível para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O Brasil já supera a média global de cobertura vacinal, mas a meta de 90% ainda não foi alcançada. Sem a imunização ampla, o potencial de eliminar o câncer de colo de útero fica comprometido.
Para a OMS, a combinação de vacinação, novos testes e tratamento rápido de lesões pode tornar a doença rara na próxima década. No entanto, isso depende de campanhas contínuas de conscientização e da ampliação do acesso a serviços de saúde.
Com o teste de DNA já integrado ao SUS e a vacina disponível, o Brasil dá um passo importante rumo ao controle do câncer de colo de útero. Fique de olho nas datas de vacinação e converse com o posto de saúde mais próximo para manter seus exames em dia. Quer mais novidades sobre saúde? Continue acompanhando nossos conteúdos.