Descobrir uma gravidez já foi sinônimo de esperar uma semana pelo broto de cevada, esconder a barriga sob saias plissadas de seda ou, simplesmente, confiar em superstições sobre abacaxis e pensamentos bonitos. Do Antigo Egito às sitcoms da TV dos anos 1950, gestar um bebê carregou rituais, medos e invenções que ajudam a entender como a sociedade lidou – e ainda lida – com esse período tão intenso.
Do lado científico, tecnologias criadas para submarinos acabaram gerando o primeiro “clic” da ultrassonografia, enquanto uma designer gráfica questionou por que as mulheres precisavam esperar duas semanas pelo resultado de laboratório e, assim, inventou o teste de gravidez caseiro. Entre uma curiosidade e outra, fica claro: nenhuma gestante jamais esteve sozinha nessa avalanche de hormônios e expectativas.
Inovações, crenças e costumes que atravessaram séculos
Egito, 1350 a.C. – xixi no grão: as egípcias urinavam em sementes de cevada e trigo; se germinassem, era positivo. A eficácia foi medida em cerca de 70% em testes modernos.
Inglaterra vitoriana: médicos do século 19 aconselhavam grávidas a evitar “emoções excessivas” como ler romances, assistir a peças ou rir demais para proteger o bebê.
Europa dos séculos 17 e 18: rainhas davam à luz em público para evitar boatos de troca de bebês e garantir um herdeiro legítimo.
Tatuagens de maternidade: povos inuítes marcavam a transição para a fertilidade com desenhos no rosto ou nas mãos, celebrando a chegada de um filho.
“Pense coisas belas”: na Europa do século 18, acreditava-se que o pensamento materno influenciava aparência e personalidade do bebê.
Bananas, anos 1930: consideradas superalimento contra enjoo e constipação, livros recomendavam até seis unidades por dia às gestantes.
Abacaxis do século 18: artigo de luxo na Europa e na América, a fruta simbolizava fertilidade e hospitalidade – presente ideal para desejar uma família numerosa.
Imagem: Kayla Young
Quando a modernidade tomou conta da barriga
1904: Lena Himmelstein Bryant cria a primeira linha de roupas de maternidade; o anúncio no jornal só saiu em 1910 e esgotou o estoque no dia seguinte. Em 1917, o catálogo por correio já somava um milhão de dólares em vendas (cerca de 25 milhões atuais).
1952: a série “I Love Lucy” exibiu o episódio “Lucy Is Enceinte”. Embora a palavra “pregnant” não pudesse ser dita, Lucille Ball apareceu grávida na TV, e 70% das casas americanas assistiram ao capítulo do parto.
1958: o obstetra Ian Donald e o engenheiro Tom Brown adaptaram sonar de submarino para visualizar um feto. A primeira imagem de ultrassom foi publicada no The Lancet naquele mesmo ano.
1977: após uma década de lobby, chegou às farmácias o Predictor, primeiro teste de gravidez doméstico, criado pela designer Margaret Crane.
Curiosidades culturais que resistem até hoje
Igbo-Ora, Nigéria: apelidada de “cidade dos gêmeos”, tem altíssima taxa de nascimentos duplos e celebra um festival de cinco dias em homenagem ao fenômeno, atribuído localmente a uma dieta rica em inhame e folhas de quiabo.
Povo Maasai, Quênia: mulheres dão à luz em pé, segurando corda ou galho. O método, conduzido por parteira experiente, visa reduzir o tempo de trabalho de parto e aproveitar a gravidade.
Da cebada pipocando no Egito antigo às ecografias modernas, cada época deixou sua marca na forma como enxergamos a gravidez. Curtiu as curiosidades? Acompanhe nossos próximos conteúdos e descubra mais histórias surpreendentes do cotidiano.